janeiro 30, 2007

Livros - A fórmula de Deus

A fórmula de Deus – José Rodrigues dos Santos, Gradiva, 2006 (7ª edição)


Como uma notícia de telejornal, a leitura deste livro é fugaz, sendo que o leitor estará mais interessado em saber o conteúdo do enredo político-militar-religioso (muito previsível), desinteressando-se da escrita do texto, com um ou outro erro de construção sintáctica.


Só vento?

Em tempos de proclamação das energias renováveis, e em tempos em que se quer afirmar que, economicamente, cada consumidor de energia eléctrica deve ser um produtor, as câmaras municipais do Alto Minho, ligadas à comunidade intermunicipal Vale do Minho, decidiram vender a sua quota de participação na empresa que em breve produzirá energia limpa em termos ecológicos. Depois da experiência das câmaras dos Arcos de Valdevez e de Vila Nova de Cerveira, a de Paredes de Coura também seguiu esse mesmo caminho. A discussão nas reuniões de câmara e assembleia foi de ventania forte, algo turbulenta na da assembleia municipal. Por mais argumentos a favor ou contra, não se podendo dizer com total rigor e infalibilidade que custos esta decisão tem para o futuro, o presidente da câmara de Monção coloca o dedo na ferida: "as câmaras não têm que ser sócias de empresas privadas... o capital social só se converte em lucros dentro de uma década, ficando as autarquias ao sabor dos accionistas maioritários". Além disso vender a participação não significa vender os dedos e os anéis, pois o rendimento de 2,5% sobre a facturação é uma receita constante do município, ficando ainda as juntas de freguesia e os proprietários dos terrenos, onde estão instalados os aerogeradores, com rendimentos acrescidos.

janeiro 29, 2007

Filmes: Match Point, Woody Allen

Notas a ministros

O lugar de ministro da educação é um dos mais desgastantes aos olhos da opinião pública, sobretudo quando estão em causa decisões tomadas de forma inconsistente, a saber: exames do 12º ano (sobretudo a Química, com recursos para tribunais); aulas de substituição (também com recursos para tribunais); estatuto da carreira docente, etc., etc.
Por isso, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, numa escala de 0 a 20, é avaliada pelos portugueses, segundo sondagem publicada no dia de hoje pelo JORNAL DE NOTÍCIAS, com a nota de 8,3.
Por sua vez, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, é o único ministro que obtém positiva - 10,3.
Com as notas atribuídas bem precisamos de novos rostos, ainda que o primeiro-ministro continue com uma votação muito significativa.
Dá mesmo para acreditar?

Sísifo

Mais uma revista em educação: Sísifo.
No dicionário da mitologia grega e romana, de Pierre grimal, é dito que Sísifo é "o mais astuto dos mortais e também o menos escrupuloso ... a lenda de Sísifo abrange vários episódios, cada um dos quais é a história de uma astúcia".
E mais ainda: "Uma versão diz que Zeus o fulminou de imediato e o precipitou nos Infernos, onde lhe impôs como castigo que fizesse rolar eternamente um enorme rochedo na subida de uma vertente. Mal o rochedo atingia o cimo, voltava a cair mercê do seu próprio peso e o trabalho tinha de recomeçar".
Para que a pedra role, consultar:
ttp://sisifo.fpce.ul.pt/

janeiro 24, 2007

Filmes: Les uns et les autres, Claude Lelouch

Preâmbulo do estatuto da carreira docente (II)

Os textos preambulares dos normativos são ainda uma fonte documental para a investigação, quer pelo que apresentam no campo das intenções, ou da utopia, muitas vezes, quer pelas críticas que fazem a anteriores normativos e medidas políticas. Neste último caso, e lendo-se mais uma vez o preâmbulo do estatuto da carreira docente, salientar-se-á a crítica realizada pela actual equipa do Ministério da Educação aos sistemas vigentes da formação contínua e da avaliação do professor:
“… a formação contínua, em que o país investiu avultados recursos, esteve em regra divorciada do aperfeiçoamento das competências científicas e pedagógicas relevantes para o exercício da actividade docente. Do mesmo modo, a avaliação de desempenho, com raras excepções apenas, converteu-se num simples procedimento burocrático, sem qualquer conteúdo. Nestas condições, a progressão na carreira passou a depender fundamentalmente do decurso do tempo, o que permitiu que os docentes que permaneceram afastados da actividade lectiva durante a maior parte do seu percurso profissional tenham chegado ao topo da carreira”.
O que dirão os futuros decisores políticos?

janeiro 23, 2007

Filmes: Scoop, Woody Allen

Preâmbulo do estatuto da carreira docente (I)

Os textos preambulares dos normativos portugueses, pelo menos em educação, são uma fonte inesgotável de estudo, não por aquilo que expressam, sempre com ideias generalistas e brilhantes, mas sobretudo pelo desfasamento que há com a realidade das escolas.
Em tempos de negação do papel do professor como agente fundamental da educação escolar, o texto introdutório do Decreto-lei n. 15/2007, de 19 de Janeiro é taxativo: “O trabalho organizado dos docentes nos estabelecimentos de ensino constitui certamente o principal recurso de que dispõe a sociedade portuguesa para promover o sucesso dos alunos, prevenir o abandono escolar precoce e melhorar a qualidade das aprendizagens”.
Completamente de acordo, só que o processo de negociação deste estatuto introduziu conflitos que dificilmente serão esquecidos pelos educadores e professores.

janeiro 22, 2007

Livros - O tempo dos espelhos

O tempo dos espelhos – Júlio Machado Vaz, Texto Editores, 2006.
Li o livro para conhecer mais um pouco sobre Bernardino Machado e também para tentar compreender por que razão estas memórias, talvez apressadas, são escritas não em Mantelães, em Paredes de Coura, mas em Cantelães, uma freguesia do concelho de Vieira do Minho.
Ainda que a figura do presidente esteja sempre presente, Bernardino Machado somente aparece, numa síntese dos seus percursos políticos, nas páginas 70 e 71 e rapidamente dá lugar às dúvidas e críticas do autor, que apresenta os seus tempos como espelhos que reflectem memórias de uma família muito ligada a Paredes de Coura. E o autor esclarece: “Após a morte de meu pai, fui em busca do afecto “do lado de lá”. A correspondência do Avô Presidente para o neto não engana – era nele que confiava para satisfazer os seus pedidos, zelar pela saúde familiar, dar notícias. Uma das descobertas foi sinistra e divertida, meu Bisavô sofria da próstata. Mas aos noventa anos… Dela se queixava em 1941, escrevendo de Mantelães. Sonoridade suspeita, eu escrevo em Cantelães. Porque não me limitei a construir casa que rima com a dele e decidi copiar-lhe a doença aos cinquenta e cinco?”.

Viana, Braga e Minho...


O poder administrativo de Braga preocupa muito o autarca de Viana do Castelo, Defensor Moura. E afirma: “Somos mal interpretados quando reafirmamos a nossa vontade autonómica em relação ao distrito de Braga e ao Minho como uma província que nunca teve de facto poder administrativo e que muitas vezes é ressuscitada para interesses que não têm a ver com os de Viana do Castelo”.
Sabendo-se da sua notória desconfiança relativamente aos municípios do Alto Minho que fazem parte da Comunidade Intermunicipal Vale do Minho, fica-se agora a saber que o Minho como região (englobando os concelhos do Alto e do Baixo Minho) jamais será uma realidade administrativa se tal depender do seu voto ou poder de decisão.
Talvez Defensor Moura não queira comparar as duas regiões porque isso o obrigaria a reconhecer que a realidade de hoje não se compadece com a mera existência de um castelo numa cidade e num distrito que têm ficado para trás.Basta percorrer alguns indicadores de desenvolvimento e constatar como estas palavras são de puro bairrismo, cada vez mais obsoleto.

janeiro 21, 2007

Medidas... estatuto...

No sítio do Ministério da Educação podemos ler o documento 50 Medidas de Política para Melhorar a Escola Pública, que apresenta o conjunto das medidas e das acções lançadas, em 2006. Por coincidência ou não, a divulgação do power-point é feita no mesmo período em que é publicado o estatuto da carreira docente no Diário da República.
Será interssante relacionar, no futuro, o efeito destas medidas com o efeito do estatuto no modo de "sentir-se" a escola.

janeiro 19, 2007

Flores...

Finlândia

janeiro 16, 2007

Livros - D. Sebastião e o Vidente

D. Sebastião e o Vidente – Deane Barroqueiro, Porto Editora, 2006.

Para compreender a tragédia portuguesa, que pôs fim à nossa independência por largos anos, é necessário ler este livro, muito bem escrito e documentado em fontes históricas.
Através das inúmeras páginas, que se lêem com a vontade de chegar ao fim, tal é o enredo em que fica o leitor, descobrem-se as tramas que levaram D. Sebastião para o precipício colectivo em nome de desígnios próprios de um reizinho muito mal informado e desejoso de figurar nos anais da cristandade.
Se este jovem do romance tivesse tido uma educação sexual adequada, decerto que o saudosismo português teria outros contornos.

Imprensa regional

Em tempos de vacas magras, é natural que as vozes de protesto aumentem de forma compreensível, mais ainda quando se fala da gestão de recursos em função do apoio a jornais regionais. A propósito do porte pago, tudo aponta que os jornais que não se profissionalizem venham a ter sérias dificuladades de sobrevivência.
Vivendo da carolice de certas pessoas, os jornais nascidos e criados a partir de um pequeno grupo lentamente se vão transformando em projectos pessoais.
Olho para os dois jornais de Paredes de Coura e o tempo diz-nos tudo.
"O Notícias de Coura" é um jornal jovem, de três anos, com muitos colaboradores e com um director entuasiasmado, aberto à crítica, coadjuvado por um " grupo de jovens jornalistas" com quem muito aprenderiam se a redacção fosse obrigatoriamente profissionalizada.
"O Coura", já na adolescência (18 anos), luta contra si próprio, personalizado numa luta inglória como se outro mundo existisse para além do seu director, e alheio a qualquer projecto de profissionalização, pois nesse caso perderia o leit-motiv da sua existência.

Provérbio budista

"Quando o estudante está preparado, o mestre aparece".

janeiro 15, 2007

Fim de tarde...

Tampere, Finlândia.

Provérbio chinês

"Os professores abrem a porta, mas tens de entrar sozinho".

janeiro 12, 2007

Pôr-do-sol

Tampere, Finlândia

janeiro 11, 2007

Estatuto da carreira docente

Antes de partir para a Índia, o Presidente da República promulgou o estatuto da carreira docente do ensino não superior.
Assim quiseram a ministra e o governo, assim o fez o presidente.
Para os sindicatos é uma batalha perdida. Também poderia ser uma batalha ganha se tivermos em conta as alterações pontualmente introduzidas nas sucessivas versões.
Mas é uma batalha perdida, reconheçamos.
Falta saber se, doravante, os professores se sentirão mais motivados na sua profissão face ao percurso da carreira e às formas de avaliação.
No modo como o estatudo foi discutido e aprovado todos perderam, tendo ficado a certeza que há muito a fazer para que a escola recupere a credibilidade social.Com estes ou com outros actores.

janeiro 09, 2007

Primeiros resultados?


O Ministério da Educação revelou que, no recenseamento escolar, divulgado pelo GIASE, “o número de alunos matriculados no ano lectivo 2006/07 aumentou em 21 192, passando para 1 669 470 em relação a 2005/06, graças ao combate ao insucesso e ao abandono escolares”.
Eis o primeiro sorriso do Presidente da República!
O crescimento de alunos no sistema educativo português, mais acentuado no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário, revela ainda a fonte citada, deve-se essencialmente, ao “aumento dos alunos matriculados em cursos profissionalizantes, isto é, com certificação escolar e profissional, destinados a combater o insucesso e o abandono escolares. As matrículas nestes cursos de educação e formação de jovens aumentaram 112 por cento, ao passarem de 11 512 para 24 418”. Resulta ainda “do reforço da oferta do ensino público, que atraiu mais 10 509 alunos do que no ano lectivo anterior”.

Tal argumentação também deveria servir para constatar que o insucesso, para além de outros aspectos, é algo que é criado pela organização curricular, tanto dos cursos quanto dos conteúdos, métodos e processos de avaliação.

janeiro 08, 2007

Tristeza de país...

"Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó portugal, hoje és nevoeiro"

Fernando Pessoa, in Mensagem

janeiro 06, 2007

TLBES

O assunto referente à Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLBES) já está suficientemente dissecado pelos seus defensores e opositores. Se numa discussão há aspectos que devem ser reconhecidos como positivos e negativos, decerto que sobre esta temática há argumentos que ultrapassam o mero domínio da Linguísitca, não só pelo contexto escolar a que se aplica - do 1º ao 12º anos - mas sobretudo pela qualidade das aprendizagens.
A entrevista (PúBLICO, 6 de Janeiro) do Director da Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular nada esclarece, pois se, por um lado, diz que há alterações a fazer, e "isso não impede que a experiência continue", por outro, garante que "suspendemos a sua generalização. Não valia a pena impor um instrumento com o qual as pessoas não sabiam trabalhar".
A confusão aumemta quando o entrevistado apresenta a TLBES como um instrumento "que pode ajudar a combater o insucesso", anunciado que a sua aceitação depende de um teste prático. Mas qual?
"Saber se os alunos que aprenderam com a terminologia têm melhores resultados a Português" nos exames do 9º e 12º anos.
Não havendo perguntas sobre a TLBES nos referidos exames, o entrevistado espera que os resultados melhorem pelo simples contacto dos alunos com tal terminologia, ainda que reconheça que a mesma pode ser "um corpo estranho nas escolas".
A 2ª parte desta entrevista prevê-se para Julho deste ano e os resultados do teste prático serão fáceis de adivinhar.

janeiro 04, 2007

De que depende o sucesso educativo?

O ex-ministro da Educação, agora assessor do Presidente da República, mas não oficialmente para a área da educação, apresentou um programa de combate ao insucesso e abandono escolares, que seria transformado em normativo pela actual Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues.
Apesar de ser uma temática recorrente, em Portugal, nos últimos anos, o que se pode comprovar pelos programas dos sucessivos governos e pelas discussões sobre educação, o sucesso educativo ainda é uma miragem para muitos alunos do ensino básico e, ainda mais, do ensino secundário.
Mas como tem sido resolvido este problema? Muito facilmente: devolver à escolas a responsabilidade, esquecendo-se que o problema está também a jusante, ou seja, nas políticas educativas e curriculares, concretamente no que se ensina e no que se avalia em função dos planos curriculares e dos programas.
De modo mais fácil, o Ministério da Educação legislou, através do Despacho normativo n. 50/2005, de 9 de Novembro, sobre a avaliação sumativa interna, acreditando que o problema seria resolvido pela elaboração, ao nível da escola, de planos de recuperação, aplicáveis aos alunos que revelem dificuldades de aprendizagem.
Por mais positiva que seja a actuação dos professores no plano da pedagogia diferenciada, de programas de tutória, de aulas de recuperação, entre outras medidas, o sucesso educativo depende de uma profunda reforma que é necessário empreender no campo da organização curricular, sem que isso signifique, mais uma vez, novos programas e velhas medidas.

janeiro 02, 2007

Desafio presidencial

Relativamente às melhorias visíveis no funcionamento do sistema educativo, o Presidente da República dixit: “a qualidade do ensino, o estímulo à excelência e o combate sem tréguas ao insucesso e abandono escolar têm que ter sinais positivos já em 2007".
Presume-se que estas palavras estejam destinadas aos ensinos básico e secundário e a Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da educação, ainda que a qualidade do ensino e o insucesso escolar também façam parte dos problemas do ensino superior.
Porque os resultados em educação não são visíveis, a curto prazo, como na economia ou na justiça, bem se pode dizer que 2007 oferecerá a Cavaco Silva um tema de discordância para com José Sócrates, num momento em que um e outro terão os seus nomes ligados ao novo estatuto da carreira docente. Qualquer mudança em educação, tanta a da qualidade quanto a do abandono, requer um envolvimento dos professores, que vá para além do mero cumprimento de tarefas e do horário. Duvido que convocar os professores, neste momento, para esta batalha seja o mais correcto politicamente, sabendo-se que desejam, por todos os motivos, a substituição da ministra da educação.

dezembro 31, 2006

2006-2007

A passagem de ano, sobretudo pela leitura dos jornais, é um exercício de memória em que se procura recordar o que finda e antever o que se vai iniciar. Trata-se de um registo de factos, inscritos numa tábua cronológica, sobre os mais diversos aspectos, com destaque para as personalidades do mundo da política e do desporto.
Por isso, evito entrar nesse mundo de registos, por vezes tão distantes, apesar de tão próximos, sabendo-se que os que se aproximam, ao longo de 2007, poderão não ser tão diferentes.

dezembro 29, 2006

Rio de Janeiro

A comunicação social deu-nos as palavras e as imagens da violência no Rio de Janeiro nesta última semana de 2006. O terror fez-se norma. Respira-se e aceita-se o lado oculto de uma cidade, que emerge com força e dramaticamente de tempos a tempos.
O que li e vi levou-me a reler “Rio de Janeiro. Carnaval no fogo”, de Ruy Castro, e logo no prólogo o que deveria ser excepção tornou-se numa regra bem persistente: “Na última semana de Fevereiro de 2003, bandidos ligados ao narcotráfico desencadearam uma onda de violência no Rio. Quadrilhas incendiaram ônibus nos subúrbios, trocaram tiros com a polícia nos morros e protagonizaram perseguições de cinema nas vias expressas. A cidade ficou apreensiva”.

dezembro 22, 2006

Quem deve ser susbtituído?

As aulas de substituição no ensino básico (2º e 3º ciclos) e no ensino secundário conheceram um novo capítulo de um já longo folhetim, que opõe os professores ao ministério da educação.
A decisão de um secretário de estado, que através de um despacho decidiu anular o que diz um decreto-lei, foi considerada nula por dois tribunais, depois de um recurso de dois professores, que se sentiram lesados na prestação de um serviço lectivo, que jamais poderia ser considerado desse modo à luz do estatuto da carreira docente.
Há coisas tão mínimas que um secretário de estado deveria saber, para isso deve ter assessoria jurídica, que, depois desta decisão dos tribunais, e mais se seguem, decerto, cabe perguntar: quem deve ser substituído?

dezembro 17, 2006

Relatório da OCDE sobre Ensino Superior em Portugal

As 124 páginas do Relatório da OCDE sobre o Ensino Superior em Portugal, apresentado publicamente a 13 de Dezembro de 2006, permitem diversas leituras, sendo as mais notórias, pelo menos para os media, as que se referem à reorganização das instituições em fundações e à passagem dos funcionários não docentes e dos professores para o sector privado.Pela leitura dos sete capítulos depreende-se o que já se sabia: o ensino superior necessita de uma profunda reestruturação e os problemas não são unicamente de natureza demográfica. São sintomáticos os dados, que também já todos conheciam, sobre a qualificação académica dos portugueses: só 11% têm o ensino superior e o nível de retenção ou abandono no ensino secundário é de 40%. Perante estes dados, as 30 universidades e os 130 institutos politécnicos são insuficientes para que Portugal possa estar ao nível médio da União Europeia em termos de ensino superior, tal como o financiamento estatal (mas sobre este aspecto o relatório será ignorado).
Ao preconizarem o sistema binário, dizendo mesmo que deve ser reforçado, os peritos da OCDE concordam com o sistema actual, divergindo em aspectos organizacionais e nos moldes de financiamento. Em contrapartida, defendem um sistema de gestão menos corporativo e a subida das propinas.
Quanto ao Processo de Bolonha, o relatório regista as mudanças em curso, mas não as avalia, pois nesse caso seria difícil de explicar como se podem mudar metodologias de ensino e práticas de avaliação ao mesmo tempo que se reduz o número de professores.
Mais do que um relatório técnico, bem documentado estatisticamente, e com aspectos sobre os quais é necessário reflectir, precisamos agora de uma decisão política, não se colocando de lado o debate que é necessário promover.

dezembro 12, 2006

Propostas para a educação

Oito medidas para educar (ROBERTO MANGABEIRA UNGER, Folha de São Paulo, 12/12/06)

PARA A EDUCAÇÃO, assim como para o desenvolvimento, é preciso ter visão e projeto. Projeto e visão podem, porém, induzir vertigem e desânimo. Aqui vai, em troca, elenco de iniciativas pontuais, inspiradas no que deu certo no mundo. Começo com duas preliminares. A primeira preliminar é que precisamos gastar mais. Quanto mais desigual o país e menos forte nele a tradição de cultivar o estudo em casa, maior tem de ser o gasto em educação. É nosso caso; precisamos gastar muito mais do que a média mundial. A segunda preliminar é reconhecer que melhora de qualidade da educação surte efeito imediato, não só a longo prazo. Nenhum país que se endividou para financiar salto de qualidade em seu ensino foi por isso castigado pelos mercados; sabem que a educação presente é a garantia mais certa da riqueza futura. Mais importante ainda é o impacto sobre o ânimo da nação. Inquietação, emulação, energia são tudo na vida de um povo. 1. Assegurar piso salarial e plano de carreira aos professores em todo o país. O governo federal tem de se acertar com os Estados e os municípios e completar a diferença para as entidades federadas mais pobres. 2. Construir sistema nacional de "escolas normais" e de faculdades de educação para formar e atualizar os professores ao longo de suas carreiras, não só no início. 3. Medir várias vezes por ano o desempenho de todas as escolas. Discutir os resultados no país e em cada comunidade. O monitoramento não é apenas para suprir falhas. É também para propagar as inovações locais bem-sucedidas. 4. Ter o governo federal como intervir e consertar quando, em períodos seguidos, o desempenho for inaceitável. 5. Focar a formação dos professores e os textos escolares na pedagogia das operações conceituais básicas: análise de problemas, interpretação de textos, formulação de argumentos, uso de fontes de pesquisa. 6. Engajar as associações de pais no trabalho das escolas e na execução de um plano de estudo para cada criança. E, quando a família não tiver condições para participar, designar professor ou membro da comunidade que faça as vezes desse acompanhamento familiar. 7. Combinar o ensino direto com o ensino à distância e com a comunicação entre escolas. Cada estudante deve receber computador simplificado, ligado a rede nacional de internet pública dedicada à educação. 8. Oferecer programas especiais aos alunos, sobretudo pobres, mais talentosos e esforçados. Tais programas sacodem a mediocridade satisfeita. Acordam a genialidade calada. Essas medidas representariam uma revolução.
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dezembro 08, 2006

Blogues de Coura

Com um tempo de vida ainda incipiente, pois começa a ser utilizado somente a partir de 1999, o blogue é um espaço virtual ao alcance de qualquer pessoa, desde que esteja ligada ao mundo virtual da Internet. Por isso, a palavra ainda não se encontra dicionarizada, mas não deixa de ser reconhecida por todos quantos, de modo intensivo ou não, desejam estar ligados a uma rede de troca de informação. Quando se fala numa rede de informação há a metáfora da teia (engenhosamente tecida pelas aranhas) que nos ajudará a compreender as relações imbricadas que se estabelecem entre os utilizadores da WWW (World Wide Web).
Serve esta introdução, talvez muito técnica, para dizer o quão se divulga Paredes de Coura através de diversos blogues. Falarei apenas de dois.
No blogue – http://www.paredesdecoura.blogspot.com – encontramos referências diárias ao concelho, sob a escrita de uns certos pseudónimos. Poderemos não concordar com a ironia de alguns textos, poderemos dizer que quem escreve deveria assumir, mas a crítica mordaz também se faz com o recurso a nomes sugestivos, tal como nos advém da história portuguesa, sobretudo a partir da figura do Manuelinho, o tal louco de Évora que esteve na origem do movimento da Restauração (Século XVII).
No blogue - http://maispelominho.blogspot.com – Eduardo Bastos dá a cara pelo Minho, e muito mais por Paredes de Coura. Trata-se de uma escrita atenta à realidade courense, desde as questões políticas às questões sociais, culturais e educativas, salpicada com imagens que lhe conferem realismo. É um blogue de um quase-jornalista.

dezembro 07, 2006

Legislar....

A “revisão participada” do ensino secundário, dos tempos do governo de António Guterres, deu lugar à “reforma”, dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes. Só mudança de terminologia?
Aparentemente, sim, pois o que é proposto em 2004 não é muito diferente do que foi avançado em 2000 ou em 2001.
Pena é que o sistema educativo continue a ser gerido por uma montanha de normativos, em que os ministros de educação, e respectivos secretários de estado, necessitam de legislar para sobreviver politicamente. Esta é a situação da educação.

dezembro 05, 2006

Que proposta?

"Uma proposta para a educação", de António Barreto, apresentada no PÚBLICO, de 3 de Dezembro de 2006, é aceitável num ou noutro ponto, mas inadequada noutros, principalmente na monitorização que as "instituiçõres competentes" teriam para com as escolas dos ensinos básico e secundário. Dizer que o ministério não tem nada a ver com os conteúdos dos programas, ocupando-se somente da sua lógica geral, é algo contraditório.
Se as modas passam, se as reformas também passam, é de esperar que tal proposta também passe.

dezembro 01, 2006

Na escrita de Moselos

Por mais dúvidas que existam, e sobretudo para contrariar quem defende a língua como uma ferramenta imutável, o "z" de certas palavras já está modificada para "s", por exemplo no termo, entre tantos outros, de Mozelos»Moselos.
Se a escrita com "s" já foi vulgarizada, a questão é a de saber a partir do momento é que a mudança se fez em determinados textos. Por exemplo, no Dicionário Antigo e Moderno, publicado em 1875, a grafia de Moselos faz-se com "s" e não com "z", conforme se transcreve:
"Móséllos: freguezia, Minho, comarca de Vallença, concelho de Coura".

novembro 28, 2006

reforma anunciada no superior

No debate televisivo de ontem, e finalmente o ministro falou, as universidades ficaram com uma imagem algo negativa, apesar dos esforços de alguns reitores e das vozes críticas dos alunos. Parecendo não confiar nas instituições de ensino superior que tutela, o ministro gastou palavras e mais palavras para dizer que a gestão deve ser mais eficiente, mesmo que isso signifique a não renovação de contratos dos docentes, que as regras de Bolonha são simples de implementar, pois tudo se resume ao normativo, e que o estatuto da carreira docente não precisa de uma alteração urgente. Mesmo assim, e porque assim o exige a sociedade (!), 2007 será o ano da reforma do ensino superior.
Finalmente, o ministro passará das palavras às políticas.

novembro 27, 2006

Um ministro em silêncio

Por mais que dela discordemos, a Ministra da Educação escreve nos jornais, dá entrevistas, faz aprovar um estatuto da carreira docente e critica os professores ... Existe, pelo menos.
Contrariamente, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com todos os problemas que afectam as instituições de ensino superior, incluindo o caduco estatuto da carreira docente, pronuncia-se no silêncio, ignorando as questões que estão sob a alçada do seu ministério, revelando, segundo palavras de António Nóvoa, em entrevista ao Público, de 27/11/2006, "insensibilidade de quem está a tutelar uma área tão importante para o país como é o ensino superior".
Decerto, Mariano Gago acredita que Bolonha é um processo perfeito, que o financiamento das instituições de ensino superior é justo e que a avaliação externa internacional resolverá todos os problemas.

novembro 21, 2006

Reformas educativas

Para um pouco de história das reformas educativas em Portugal, vide

Totalmente de acordo

"As reformas, os programas e boa parte das teorias sobre o ensino são feitos na e para a escola imaginária por pessoas que há muito tempo não estão na escola real em condições reais.
Por outras palavras, centenas e centenas de pessoas convidadas pelo Ministério da Educação concebem reformas e programas para escolas e turmas que quase só vêem a partir dos gabinetes das faculdades, das janelas da Avenida 5 de Outubro e das delegações disto e daquilo" (Helena Matos, Público, 18/11/2006).