dezembro 02, 2007
novembro 29, 2007
novembro 19, 2007
Miguel Torga - Retrato
| O meu perfil é duro como o perfil do mundo.
|
Escravidão do conhecimento
Hoje em dia elimina-se tudo o que é complexo e defende-se a desvalorização do conhecimento no sentido mais humanista, privilegiando-se o conhecimento-mercadoria e, consequentemente, as ciências "que vão reforçar a indústria e aumentar os lucros das grandes sociedades".
E fala ainda:
"Para já, o apagar do Grego ou do Latim, da Filosofia e das Humanidades surgiu na lei, não estou a inventar esses factos, os governos começaram a decidir que não se ensinava isso nos liceus ou só em certos cursos. Os cursos de Filosofia e Humanidades estão a fechar porque não têm alunos, e porquê? Porque o dinheiro é o objectivo. Quem tem interesse em estudar Literatura quando isso não lhe resolve o problema da vida? É inútil em termos pecuniários".
E nesta voragem economicista do conhecimento, poderemos argumentar, há muitas outras áreas que não fazem parte de uma sociedade da informação e conhecimento, acentuando-se cada vez mais a tendência para a escola e universidade enveredarem por cursos predominantemente profissionalizantes.
novembro 14, 2007
No interior da escola...
Sentem-se muito bem na escola e gostam desse seu mundo feito de exigências, de brincadeiras e de tudo o mais que as traquinices poderão deixar antever.
A sala de aula dos pequenotes é uma outra realidade: fichas de apoio, imagens, desenhos, mapas, jogos computadores, Internet ... sei lá o que mais dizer sobre as imensas e interessantes actividades que são usadas como recursos da aprendizagem.
Mas os pais querem mais: não gostam de uma escola isolada, pretendem que os seus educandos tenham todas as condições pedagógicas e exigem melhores instalações. Não acreditam jamais na escola de um professor, na sala da escrita e dos números, pois sentem que os tempos são outros e que o mundo deixou de caber num só manual.
Por mais estranho que pareça, os pais não estão presos à terriola da escola e lutam pelos centros escolares do 1º ciclo.
Lembrei-me, neste quadro, da situação de Paredes de Coura, um dos concelhos que promoveram com sucesso a concentração de escolas do 1º ciclo do ensino básico. Recordemos-nos dos medos iniciais e, sobretudo, da politização do caso. Seria a hora de balanços e, mais ainda, de admitir como é que os partidos são movidos mais por interesses meramente pessoais do que por ideias com futuro.
Mas os partidos políticos não gostam, nunca, dos seus passados, pois existem em função da promessa, a concretizar no futuro.
novembro 03, 2007
Ranking de quê?
Aceitando-se que são subsistemas diferentes, essencialmente marcados pela lógica do serviço público e pela lógica de mercado, respectivamente, aceitando-se que o currículo nacional é o mesmo, aceitando-se ainda que os professores têm idêntica formação, por que razão se insiste em comparar o que é obviamente diferente?
A diferença está nos alunos e seus contextos. Faça-se a experiência: mudem-se os alunos da primeira e última escolas, mudem-se os seus contextos e depois avaliem-se os resultados.
A mais-valia de uma escola privada está no seu poder de captar alunos e de seleccioná-los.
A pergunta incómoda: quantos alunos de escolas públicas podem frequentar as escolas privadas que os rankings colocam nos primeiros lugares?
outubro 30, 2007
O início do fim...
Na expressão latina -alea jacta est - a sorte está lançada. Resta esperar. Não sentados, mas vigilantes e atentos para que os tempos se cumpram, a obra ande e a via apareça.
Mais do que nunca, é necessário reivindicar, pois as promessas não podem ficar eternamente no papel.
Acredito que a ligação vai sair do papel e que Paredes de Coura vai ultrapassar um dos seus grandes obstáculos ao desenvolvimento.
Mas... não nos deixemos adormecer.
outubro 18, 2007
"Vende-se"
“Vende-se” – é a placa que mais encontro no concelho de Coura.
Em todo o lado, o frio das letras interioriza não a consagração do princípio do mercado, assente na oferta e procura, dependentes da vontade e necessidade do cliente, mas o esvaziar de espaços afectivamente construídos no caminhar de muitas gerações.
À minha volta, em Santa, o silêncio faz-se sentir. As crianças não brincam pelos caminhos, as pessoas não se cruzam como outrora e o “bom dia”, o “boa tarde” e o “boa noute”, como gostava de pronunciar meu pai, não se ouvem com tanta frequência.
Agora o carro também limita ainda mais essa comunicação de caminhos, mais forte há anos atrás porque todos se conheciam e para todos havia um registo muito personalizado.
As pessoas partiram, algumas para todo o sempre, e no seu lugar ficou a terrível placa “vende-se”.
Num espaço reduzido como é o monte de Santa identifico pelo menos oito lugares à venda. Mais do que a procura de novos donos, que trazem outros sonhos, e com quem não terei muito a oportunidade de dialogar, pois chegam e partem apressados, sinto o vazio dos que lá moraram, ainda que mentalmente possa reconstituir cenas e figuras do passado.
Em quase todos esses espaços, em abandono afectivo, há vidas que se cumpriram no amor eterno ao lugar, há vidas que partiram para outras terras e há vidas que ficaram desamparadas.
Podemos dizer que o ciclo das coisas é algo natural. A nossa humildade de humanos está precisamente na aceitação deste pressuposto que nos torna passageiros de uma viagem bem sinalizada. Mas se muitos partiram, o facto é que outros não lhes sucederam, prolongando o cordão umbilical das famílias. O ritual da sucessão quebrou-se, e daí o vende-se.
E esta placa, mais do que um negócio, é uma borracha que apaga os sentimentos dos lugares, tornando deléveis as imagens daqueles que conhecemos tão bem, por mais incisivos com que tenham sido registados.
Os que chegam de novo trazem os seus laços familiares, olham para os locais como moribundos afectivos e, passado algum tempo, afixam uma placa a dizer “vende-se”.
Neste ritmo de compra e venda, os sentimentos não são comercializáveis. Não há mercearia onde possamos comprar o que mais de familiar nos liga à memória viva dos lugares e não há dinheiro possível para um acto que se torna num verdadeiro sofrimento para quem decide escrever numa placa as sete letras (vende-se) que indicam o fim de um caminho percorrido com muitos afectos.
outubro 11, 2007
Cruzadas palavrosas
Como não compreendeu ainda muito bem como é que a escola funciona e quais são os factores pelo atraso endémico de Portugal, ultimamente tem zurzido nos doutores da educação, que elegeu como principal alvo de estimação.
Não consta, no registo político português, que algum desses doutores tenha sido ministro da educação. Daí que tivesse escolhido secretários de estado como alvo político fácil e que tenha atribuído, só na imaginação, claro, a Roberto Carneiro o título honorário de Doutor em Educação.
Mais do que criticar, e erradamente, seria bom que Filomena Mónica apresentasse ideias construtivas para a melhoria do sistema educativo e que, já agora, tivesse a oportunidade de as implementar.
Como seria a reforma educativa Maria Filomena Mónica?
outubro 01, 2007
Eleições
Ganhou um e perdeu outro, obviamente, perderam os dois, talvez, não ganhou nenhum deles, certamente.
Lendo os escritos e escutando os comentários das elites social-democratas, onde estão Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa, o que se avizinha é confrangedor para o partido e para o país. Vamos assistir à "gaiaziação"da política, mesmo que isso signifique ter lindas obras, que até apreciamos, mas uma dívida monumental ao nível da autarquia de Vila Nova de Gaia, primeiro quartel-general do agora líder Luís Filipe Menezes (o plagiante escrevinhador de blogues, como foi politicamente apresentado).
O que proporá Menezes para a educação? Se copiar as ideias neo-liberais será ainda muito pior daquilo que agora temos. Mas aguardemos.
setembro 29, 2007
setembro 28, 2007
setembro 24, 2007
setembro 22, 2007
setembro 20, 2007
setembro 18, 2007
setembro 16, 2007
setembro 11, 2007
setembro 06, 2007
setembro 04, 2007
setembro 03, 2007
setembro 02, 2007
agosto 31, 2007
E a educação?
Nacional Republicana, diz que em questões de fundo, caso da defesa e segurança, é necessário um amplo consenso político e jurídico em sede parlamentar.
Todos estamos de acordo, decerto. Mas onde está a coerência do Presidente quando promulga a lei, apenas aprovada com os votos socialistas, sobre a reforma das instituições de ensino superior? Nem um único reparo, nem uma única dúvida, somente certezas. Estranho!!
Quer dizer, assim, que em matéria de educação não são necessários consensos. Restam as pobres palavras de políticos...
agosto 28, 2007
agosto 27, 2007
agosto 26, 2007
agosto 03, 2007
Conversar...
Apesar de ter dialogado com colegas de muitos pontos do Brasil, as conversas que mantive com um colega da Universidade de Lisboa constituíram um bom momento, sobretudo para saber mais sobre o meu país e para saber também para lá daquilo que os jornais não trazem ou deturpam.
Por mais que gostemos de contactar com as pessoas de um país estrangeiro, é sempre reconfortante falar com aquelas que conhecemos, podendo partilhar os mesmos problemas e formas de olhar para os factos, ou seja, aquilo que nos torna portugueses ou brasileiros.
Na leitura de um jornal, na audição de uma notícia, na visualização de imagens sobre pessoas ou sobre lugares, utilizamos, como cidadãos nacionais, uma linguagem que nos confere um modo de compreender a realidade em que estamos inseridos. E neste mar de globalização, que torna iguais tantas coisas, como se não existissem diferenças, temos, de facto, uma forma particular de nos ligarmos às pessoas e aos lugares. Tal identidade jamais poderá ser globalizada.
julho 31, 2007
Humanos versus tecnologia
No entanto, não há certezas absolutas. Somente são dados que necessitam de ser comparados, cruzados e reavaliados, pois como dizem os especialistas, um acidente desse género não é explicado por um único factor.
Apesar da manipulação dos dados, e a imprensa brasileira é especialista nesse género de coisas, tal como a portuguesa, se nos lembrarmos da polémica em torno da licenciatura do primeiro-ministro Sócrates, comprova-se que o avião andava com problemas de manutenção e que a pista apresentava sérios riscos.
Perante tudo isto, é mais fácil apontar o dedo e arranjar culpados, sendo que os humanos, que somos nós, perdemos sempre face à tecnologia, que nos quer comandar.
julho 30, 2007
Contacto com a natureza
Na fazenda Santa Rita, a 150 kms de Florianópolis, encontra-se o mundo rural brasileiro, no imaginário das fazendas, com as suas histórias, gastronomia e contacto com a natureza. Quando se entra nesse mundo real, como tive a oportunidade de concretizá-lo, neste fim de semana, há uma outra paz interior que se sente e partilha nas conversas e nos olhares presos a uma natureza que nos vai surpreendendo quer pela beleza das árvores (araucárias), quer pelos pássaros que nos convidam a escutá-los, quer ainda pelos trilhos que se percorrem a cavalo.
julho 28, 2007
Que miséria de aeroportos...
Brasil, bem o mereceria.
julho 18, 2007
E do caos ... o desastre
E do caos que existia, que se sentia na pele de passageiro, resultou o maior desastre aéreo da aviação brasileira. O desastre de Congonhas (S. Paulo), onde pereceram quase 200 pessoas, doeu imenso, mais ainda quando é o resultado de tantas irresponsabilidades, sempre impunes. E a dor aumenta quando estamos perante um desastre anunciado, nos últimos tempos, tal foram os avisos de algumas pessoas e os mini-acidentes registados, incluindo o deslize de aviões aquando da aterragem. A morte de tantas pessoas é inglória, insensata e estúpida. Que a estupidez humana não permita que esta tragédia seja mais um na mera estatística das coisas da vida.
julho 17, 2007
Discriminação positiva
A Universidade Federal de Santa Catarina também entrou no sistema de quotas, assim distribuídas: 20% de vagas para alunos do ensino público; 5% de vagas para alunos afro-ascendentes (negros e pardos); 5 vagas para alunos de origem indígena.
Os comentários que tenho lido são mistos: para uns, aumenta a discriminação, para outros, é um mecanismo mínimo de correcção.
De facto, é necessário olhar para a realidade educacional de um país e verificar quanto as desigualdades entre público e privado são notórias. Em cursos de certas universidades há décadas que não entra qualquer aluno do ensino secundário público, deixando-se que o poder de compra determine o acesso às profissões. Por isso, qualquer decisão para inverter esta tendência só pode ser elogiada.
julho 13, 2007
Um tal Zequinha...
Como vi o jogo em directo, transmitido pela Rede Bandeirantes, ainda no início da noite, dada a diferença horária de 4 horas de Brasil para Portugal, e me deliciei com os comentários, alegres, mas muito sarcásticos, dos repórteres brasileiros, a realidade é outra: um tal de nome Zequinha tirou o cartão vermelho da mão do árbitro, quando este o tinha bem levantado e direccionado para um outro jogador português. Bem, não tirou, roubou o cartão ao árbitro. É pena que os jornalistas portugueses não sejam imparciais. É a cena mais caricata que vi até hoje no futebol. E os comentadores televisivos brasileiros não deixaram de se rir à custa de um tal Zequinha, que pura e simplesmente deveria ser impedido de tornar a representar a selecção portuguesa. Mas que triste imagem estes jovens portugueses estão a dar a outros jovens. E depois ainda se fala de indisciplina na escola...
julho 11, 2007
Elas ... são melhores
julho 01, 2007
junho 14, 2007
Frases infelizes
O Gado Fedorento faria um bom magazine sobre essa estupenda sugestão.
Pena é que os políticos não sejam submetidos às mesmas formalidades que os restantes passageiros e que não disponham de tempo suficiente para usufruir os bons momentos que se passam nas salas dos aeroportos.
Enfim, frases infelizes de políticos...




