junho 11, 2007

Presença portuguesa


Florianópolis,
S. António de Lisboa.

Presença da
colonização

açoriana.

junho 07, 2007

Socialismo ou controlo?

Em artigo publicado na "Folha de S. Paulo", de 7 de Junho, Boaventura Santos escreve sobre o "Socialismo do século XXI, apresentando a Venezuela como país que colocou na agenda política o objectivo de lutar contra o capitalismo neoliberal. O articulista enumera, de seguida, alguns dos traços alternativos que emergem do novo rosto político: "um regime pacífico e democrático assente na complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa, legitimidade da diversidade de opiniões, não havendo lugar para a figura sinistra do inimigo do povo".
O que se passa na Venezuela, de momento, é o contrário de tudo isto. Considerando-se um líder à altura dos acontecimentos da revolução francesa, que em 1789 confere poderes aos mais pobres, o presidente venezuelano decide silenciar e controlar os meios de comunicação social, para que no país não haja vozes diferentes e reaccionárias, submetidas ao império ideológico americano e também ao europeu.
Perante as manifestações de estudantes dos últimos dias, a figura-modelo da democracia do século XXI acusa os reitores, elegendo-os como próximas vítimas: "saberão esses reitores da tamanha responsabilidade que eles têm como autoridade universitária? Imagino que não exista nenhum reitor inocente do jogo imperial. Estão tentando usar os meninos e as meninas como bucha de canhão para produzir a grande explosão" .
É este o exemplo da alternativa política?

Florianópolis


Mercado

junho 04, 2007

Florianópolis


Figueira,
Praça XV

maio 29, 2007

Contestação

A contestação dos alunos do ensino superior é mais reivindicativa no Brasil do que em Portugal. No território português, e com as novas formas de competitividade académica, os alunos tornaram-se passivos. Sempre lhes disse isso. Protestam no discurso e na prática tudo se mantém. Por terras brasileiras, dois casos: alunos da USP (Universidade de S. Paulo) estão em greve, com ocupação da reitoria, há 27 dias; alunos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) provocaram o caos no trânsito de ontem de manhã e do fim da tarde, bem no centro de Florianópolis. Os primeiros em protesto contra a nova lei da autonomia, os segundos contra o aumento da tarifa dos transportes.

maio 26, 2007

Sábado de manhã

O sábado de manhã é um dos melhores dias para visitar o centro da cidade de Florianópolis. A praça XV de Novembro, em pleno coração da urbe com vestígios açorianos, torna-se num espaço obrigatório, sobretudo para admirar a veterana figueira. As ruas contíguas, as que dão acesso ao mercado, fervilham de pessoas, num ambiente calmo e seguro, somente interrompidas pela algazarra do comércio e pela dança da capoeira, que se encontra numa ou noutra esquina.
O mercado é o ex-libris da cidade, sendo inesquecível percorrer as suas alas estreitas, num mundo de gente, e olhar demoradamente para os produtos. A Box 32 é o santuário dos bares e só uma cerveja (ou um suco), acompanhada de um pastel, é que nos pode dar o prazer de estar lá, querendo que o tempo congele.

maio 25, 2007

Novos desafios?

O Presidente da República afirmou, numa visita a uma autarquia, que "no futuro, os autarcas vão ter que prestar mais atenção ao fortalecimento da base produtiva dos concelhos”, pois “não daqui a muito tempo, irão receber novas competências nos domínios do desenvolvimento social, saúde e educação".
A partir destas palavras, deixo duas questões, colocadas a partir de Paredes de Coura: 1) qual é a base produtiva do concelho de Coura?; 2) de que autonomia disporão os concelhos para uma gestão democrática pensada de baixo para cima?
Sobre a primeira, não restam dúvidas que a ruralidade jamais pode ser a base produtiva do concelho, embora também duvide que o trabalho não especializado possa ser a solução. O sector do turismo tem sido apontado como panaceia, mas não é possível divulgar o concelho com as condições de acessibilidade que existem.
Quanto à segunda, os concelhos só exercerão competências nos domínios da educação, saúde e das questões sociais se à consignação dos deveres forem associados os recursos financeiros. Nenhum município poderá ser autónomo se não dispuser das contrapartidas do orçamento de estado.


Diferenças

Brasileiros e portugueses falam a mesma língua, mas diferenciam-se na ortografia e estrutura sintáctica.
O significado de certas palavras também é muito diferente, sendo necessário conhecer a realidade dos dois países para não se cair em situações algo incómodas. Cada vez mais mantemos a identidade linguística quando são publicados textos nos dois países, sendo certo que escrever e ler em "português do Brasil" ou em "português de Portugal" é diferente. Trata-se de um regra que os académicos têm adoptado, ainda que se verifiquem algumas excepções.

Dentro das diferenças que nos unem, registo no quotidiano das vivências brasileiras palavras que manifestam a dinâmica e a vivacidade da língua portuguesa.
Refiro pelo menos duas: revistaria (local de venda de revistas e jornais - por que razão não passamos a chamar aos quiosques portugueses jornalarias?); educandário (escola com a educação pré-escolar, ensino básico e secundário).

maio 24, 2007

De regresso

De regresso a Florianópolis, escolho o dia não para viajar. Uma deslocação de trinta minutos de avião transformou-se num calvário de horas e isto porque a viagem, com partida de Curitiba, foi cancelada. Protesta-se, mas não adianta, o nome de passageiro é um simples número. Fui colocado num voo para S. Paulo e quando lá chegava o aeroporto de Congonhas foi fechado, por motivos de obras na pista principal e condições climatéricas. Mas fiquei ao lado, no aeroporto internacional - Guarulhos.
Chegado a Floripa, para utilizar o nome afectivo da região, fui encontrar um trânsito assustador devido à greve de funcionários públicos. Enfim, que dia mais difícil para viajar... E na serra catarinense nevava e o Figueirense perdia com o Botafogo 3-1, mas passava à final da copa do Brasil. E a noite foi de festa, igual àquela que os benfiquistas fazem quando estão muito tempo sem ganhar nada.

maio 23, 2007

Num estado democrático...

Num estado democrático, ainda é possível instaurar inquéritos disciplinares porque um professor falou sobre o primeiro-ministro e, possivelmente, da sua licenciatura. Numa sociedade plural, discordar dos outros, colocar no diálogo assuntos "politicamente proibidos", para certas pessoas "hierarquicamente" investidas de funções e competências, ainda é um acto de desrespeito. Em vez de processos disciplinares, de comunicados, como o do dia 23 de Maio, da DREN, não seria melhor que os responsáveis pelas estruturas desconcentradas do Ministério da Educação se preocupassem com os problemas pedagógicos e curriculares da escola portuguesa?

maio 20, 2007

Praça Garibaldi

Ao caminhar pelas ruas do centro histórico de Curitiba, confirmo a beleza da cidade verde e o cuidado da prefeitura relativamente à limpeza. Trata-se de um lugar que deveria merecer a visita de muitos presidentes de câmara, sobretudo os das cidades (com a obrigatoriedade para o de Braga), pois é possível manter uma urbe bem asseada com poucos recursos. Só que o cimento não poderá ser a principal opção.
No centro histórico, muito bem conservado, realiza-se, a partir da praça Garibaldi, uma feira de artesanato pelas manhãs de domingo, sendo possível registar vivências e modos de ser dos curitibanos. Em qualquer feira deste género, que se repete por todo o Brasil, o que mais me agrada é a pintura, com todo o tipo de expressão artística e cores bem brasileiras.

maio 19, 2007

Escola a tempo inteiro

Na "Folha de S. Paulo", um dos jornais mais lidos do Brasil, está uma notícia relativa à "escola integral", cujo projecto começa a ser adoptado por vários Estados, no seguimento de uma recomendação do Estado federal.
Perante as "actividades de contraturno", professores e pais brasileiros interrogam-se sobre as vantagens e/ou desvantagens de os alunos estarem a tempo inteiro na escola. Recusando as actividades de cuidado, pois essas pertencerão à família, os professores aceitam-nas, mas desde que tenham reflexo nas aprendizagens dos alunos.
O prolongamento das actividades no 1º ciclo em Portugal fez-se com pouca discussão e com muita convicção, faltando avaliar até que ponto são actividades, efectivamente, curriculares ou actividades de cuidado.



maio 18, 2007

Curitiba

Mal desfiz a mala, ocupando um apartamento no centro da cidade de Florianópolis, em plena beira-mar, logo corri para o aeroporto a caminho de Curitiba, a capital do Estado de Paraná, onde me espera um árdua agenda, na Universidade de Tuiti.
Curitiba é a cidade verde do Brasil, sendo muito conhecida pelos inúmeros e grandiosos parques, pela presença das árvores (araucária, talvez seja a mais nobre de todas) e pelo sistema inovador de transportes públicos.
No entanto, neste fim de semana, Curitiba é chuvosa, triste e cinzenta.

Florianópolis

Depois de uma longa viagem de 10h, tendo embarcado no aeroporto do Norte, dificilmente reconhecido pelo seu nome, mas pelo da cidade do Porto, cheguei ao Rio de Janeiro. Invariavelmente, fui para o mesmo hotel, em Copacabana, na Avenida Atlântica, percorri um pouco as ruas e tive a oportunidade de jantar e almoçar com dois bons amigos brasileiros. No dia seguinte, e numa viagem mais curta, cheguei a Florianópolis, para uma estada prolongada, na Universidade Federal de Santa Catarina.
É desta cidade, de tez europeia e de veias brasileiras, que escreverei alguns dos próximos "posts".

maio 06, 2007

Dia da mãe

Para lá do significado dos dias-marcadores, reconhecendo-se que o da Mãe e o do Pai são muito especiais, existe sempre o que cada de um nós pode acrescentar individualmente ao que social e culturalmente se entende por estes dias. A presença de uma mãe e de um pai é permanente, mesmo que deixemos de ouvir as suas vozes, olhar os seus sorrisos e sentir o seu amor.

abril 30, 2007

Autoridade (II)

A autoridade dos professores sobre os alunos estará de regresso, pelo menos ao nível dos normativos, conforme pretendem os responsáveis políticos.
Tudo muito simples: a indisciplina e violência nas escolas resolve-se com autoridade. E como se resolve dentro da sala de aula? Também com mais autoridade?
Se sim, estamos no reino da pedagogia musculada.
Se assim fosse, há muito que o problema estaria resolvido. Quando os problemas são complexos não basta puxar pelo bastão do poder, sendo necessário tentar compreender o porquê desses problemas. No entanto, a educação vai-se transformando num amontoado de normativos que em nada contribuem para a resolução dessa questão.

março 25, 2007

Indisciplina

A indisciplina nas escolas portuguesas é um tema recorrente, procurando-se em cada entrevista, em cada estudo, em cada análise os factores preponderantes.
Em entrevista ao JN, João Amado, Universidade de Coimbra, e João Lopes, Universidade do Minho, reflectem sobre uma realidade com a qual os professores aprenderam a viver.
Contudo, não creio que a solução passe por mais autoridade, nem mesmo por mais formação.

março 24, 2007

Niqab (II)

A província de Quebec, uma das dez províncias do Canadá, acaba de proibir o uso do véu muçulmano ( Niqab) por parte das mulheres que exerçam o seu direito de voto. Se o utilizarem, devem ter o rosto bem visível, de modo que possam ser facilmente reconhecidas.
O motivo que fundamenta a decisão é somente político, acreditando-se que a identificação das pessoas é, acima de tudo, uma questão de democracia e não de acomodação pessoal.

março 23, 2007

Mais encerramentos?

O Sindicato de Professores da Região Centro denunciou, a agência LUSA difundiu e o Ministério da Educação desmentiu, do seguinte modo:
"O Ministério da Educação desmente formal e categoricamente que haja qualquer sinalização de jardins-de-infância para futuro encerramento...".
Bem, vamos esperar para ver...

março 21, 2007

Niqab

Quando se pretende justificar uma questão política através de um argumento sem sentido tudo se torna mais ridículo.
Uma Comissão, intitulada para a Educação e Perícia, aconselha a proibição do véu (Niqab) pelas muçulmanas em escolas inglesas por questões de segurança e de aprendizagem, na medida em que, segundo os ditos especialistas, "o niqab não permite ao professor saber se a aluna está feliz ou triste, se está a rir ou a chorar", embora também admitam que "não está provado que prejudique a aprendizagem."
Enfim, se a utilização do véu é um assunto religioso, e também cultural, é completamente ridículo invocar um factor pedagógico para justiticar uma decisão que se inscreve numa agenda estritamente política, sobretudo no combate ao terrorismo.
Seria muito mais sensato que o problema fosse resolvido somente na base de argumentos políticos.

março 20, 2007

Vancouver (Capilano)


Vancouver (Capilano)


Vancouver (Capilano)


Escolas S.A.

O presidente da Parque Escolar, em recente entrevista, declarou que as escolas poderão ter no seu interior unidades de negócio, que visam racionalizar produtos e serviços tanto em horário escolar, quanto em horário pós-escolar. E mais disse: "As regras vão ser a criteriosa escolha de produtos e de fixação de preços (não se trata de um mini centro comercial) e o rigoroso controlo de qualidade dos produtos a vender".
De facto, a lógica de mercado age muito mais depressa do que pensamos.
Por isso, bem-vindos às escolas do futuro- as Escolas S.A.

março 16, 2007

março 13, 2007

Vancouver


As árvores
morrem
de pé...

Vancouver



Espreitando o
Pacífico...

março 12, 2007

Público/Privado

A proposta, apresentada por partidos de esquerda, para a criação de um serviço nacional de segurança social
na Suiça acaba de ser rejeitada por 70% do eleitorado. Com uma tradição de participação nas questões públicas, através do referendo, a Suiça, dentro do seu mosaico de descentralização, reconhece que entre público e privado há aspectos que necessitam de ser repensados, pois se não é verdade que "tudo o que é privado é bom, tudo o que é nacional é mau", também não será totalmente correcto dizer que "tudo o que é nacional é bom, tudo o que é privado é mal".

março 09, 2007

Professor Titular

O Ministério da Educação começa a regulamentar o Estatuto da Carreira Docente, dando prioridade ao concurso para Professor Titular.
O texto que está em discussão, ainda que este termo não tenha um significado acrescido para a 5 de Outubro, estabelece uma série de critérios, que globalmente podem ser adequados.
O problema residirá sempre em saber se o que deve ser salientado é o professor-administrativo, aquele que desempenha essencialmente cargos de gestão escolar e pedagógica, ou o professor-investigador, o que faz da sua prática uma constante problematização em termos pedagógico e curricular.
A funcionarização do professor é algo que tem vindo a consolidar-se nas escolas portuguesas, podendo este diploma introduzir outros critérios imprescindíveis para a sua avaliação, caso da formação pós-graduada.
No entanto, o que o professor faz no que diz respeito a projectos e práticas de investigação escolar parece insuficientemente valorizado.

março 07, 2007

Relatório do Conselho Nacional de Educação

O Debate Nacional sobre Educação, que decorreu de 21 de Maio de 2006 a 22 de Janeiro de 2007, está aprresentado no relatório do Conselho Nacional de Educação.
O Debate pôs em evidência alguns problemas bem conhecidos, como sejam, o abandono escolar precoce e desqualificado (antes do 12º ano), o baixo nível dos resultados de aprendizagem e as taxas de conclusão dos cursos superiores insatisfatórias.
Acresce que a educação continua a não ser uma prioridade para muitas autarquias, empresas, organizações da sociedade civil e famílias o que se traduz na fraca articulação das instituições sociais locais com a escola, a par de algum desinteresse das famílias, justificado pela sua falta de disponibilidade face às exigências do mercado de trabalho.
Constata a permanência de desigualdades no acesso e sucesso dos alunos. Os oriundos de famílias de melhor nível cultural são os que chegam mais facilmente ao ensino superior. A crescente desigualdade social e a diversidade cultural, resultante da presença de novos grupos étnicos na escola, constituem dificuldades acrescidas no desempenho da missão da escola.
Considera que o actual modelo de administração educativa, caracterizado pelo centralismo burocrático, em detrimento de processos mais contextualizados e autónomos da acção educativa, constitui uma limitação que impede frequentemente a melhoria do sistema.
Outro facto identificado é o de as escolas estarem sobrecarregadas com vastas funções sociais que as afastam da sua missão central. Esta situação afecta, especialmente, as que recebem populações com problemas de inclusão social provocando uma desigualdade de condições no cumprimento da missão da escola.
A cooperação entre as escolas e as famílias é reconhecida como uma das chaves do sucesso escolar, mas encontra-se prejudicada quer pelas famílias que transferem para a escola todas as missões educativas, quer pelas escolas que dificultam a participação das famílias.
Identificadas as questões críticas mais prementes, o relatório propõe uma estratégia “nacional” de melhoria da educação em Portugal, de natureza política, e apela à intervenção de todos, no sentido de superar as tradicionais opções de natureza exclusivamente administrativa e técnica.
Esta estratégia assume o paradigma da Aprendizagem ao Longo da Vida, o que implica uma orientação assente nas seguintes prioridades: Alargar a educação de infância, desenvolvendo a rede de educação de infância dos 0 aos 3 anos e intensificando o esforço de universalização da educação pré-escolar dos 3 aos 5 anos; maior atenção e cuidado com as crianças e jovens com necessidades educativas especiais; criação de ofertas formativas diversificadas que permitam satisfazer uma maior procura de aprendizagem de jovens e adultos pouco escolarizados; promoção de novas oportunidades de aprendizagem para os mais desfavorecidos; incremento do reconhecimento, validação e certificação de importantes competências adquiridas ao longo da vida e no exercício profissional, como estratégia de melhoria do nível geral de qualificação da população e de estímulo à procura de mais educação e formação; criação de condições de apoio às decisões familiares de maior investimento na educação escolar dos filhos; clarificação e reforço das responsabilidades dos municípios na educação; melhoria da qualidade do ensino superior e da investigação científica e tecnológica.
Em síntese, muitos dos problemas que ocorrem nas escolas não são problemas escolares nem podem ser resolvidos com a acção isolada das escolas e dos seus professores. A promoção de melhor educação é tarefa de todos e terá de passar por compromissos sociais muito concretos, tanto nacionais como locais. Comunidades particularmente ricas em oportunidades de acesso e usufruto de bens educativos e culturais são também comunidades em que a frequência escolar é incentivada e o sucesso escolar é potenciado.

março 05, 2007

Autoridade?

Os discursos sobre a autoridade dos professores e das escolas está de novo na agenda política com o anúncio da alteração do estatuto do aluno, de modo a considerar as agressões a professores como crimes públicos. Em primeiro lugar, há aqui duas contradições gritantes: ao mesmo tempo que se retira credibilidade profissional ao professor, convertendo-o num funcionário administrativo, procura-se acrescentar-lhe alguma credibilidade social; por um lado, a educação deixará de ser um serviço público, conforme intenção declarada deste governo, por outro, a violência contra um professor será crime público. Trata-se de um mero jogo de linguagem?
Em segundo, com o retorno à autoridade há mais uma vez uma medida de remendo político, já que se procura incidir nos efeitos, sem ter em conta as causas. Se a indisciplina é uma realidade em muitas escolas, nalgumas será mesmo insuportável, também é verdade que a escola e o conhecimento, que os alunos aprendem, não estão devidamente reconsiderados numa possível estratégia de mudança.
Contudo, devemos reconhecer que o “politicamente correcto” está em proclamar mais autoridade e não propriamente em tentar resolver os problemas de uma forma mais substantiva e global. Quem perde, neste caso, é a escola, são os professores e os alunos.

"Professor Horista"

No Brasil, o docente que desempenha a actividade sem um vínculo à instituição é designado por "Professor horista", isto é, o professor que ganha à hora, como estivesse a desempenhar um mero serviço.
Se os ensinos básico e secundário já têm esta situação, reforçada agora no 1º ciclo do básico pelos professores responsáveis pelas actividades de enriquecimento curricular, sem um vínculo à autarquia ou ao ministério, e em muitos casos contratados por empresas, o ensino superior corre para esse caminho, se o ministro persistir, com as suas políticas restritivas em termos de orçamento, em mandar para o desemprego muitos docentes.

março 04, 2007

A Origem dos Ministros

O Reitor da Universidade Técnica de Lisboa, em entrevista ao PÚBLICO, de 4 de Março de 2007, revela a origem de muitos ministros da educação... e depois os Outros é que são responsabilizados....
"É verdade! Desde há muito tempo que os presidentes da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) têm sido da UTL, assim como os ministros da Educação, Ciência e Ensino Superior: Roberto Carneiro, Marçal Grilo, Mariano Gago, Pedro Lynce, Maria da Graça Carvalho. Também João de Deus Pinheiro" (sic).

Identidades Canadianas

Desconheço que os portugueses sintam algum desconforto em relação ao seu modo de ser, podendo dizer-se que há um “povo português”, cimentado por uma coesão histórica de séculos, tal como há uma “comida portuguesa”, para não falar da “saudade”, palavra que expressa um significado bem característico de ser português.
Depois de algum tempo no Canadá, observo que não há uma “comida canadiana”, nem um “povo canadiano”. Da leitura dos jornais e das conversas, embora mais académicas, poderei dizer que a identidade canadiana é muito fluida, talvez pelo facto de o Canadá ser hoje em dia um país de migrantes, um país com muitas raízes multiculturais.
Daí que o canadiano, regra geral, veja dois tipos de povos: os migrantes, que fazem do país um vasto mosaico de línguas, e os aborígenes, os nativos, fortemente identificados na cultura e no artesanato. Por isso, o canadiano considera-se um colonizador dos aborígenes, olhando com nostalgia para o passado dos índios que o Canadá, enquanto nação e país, assimilou.

março 03, 2007

Serviço de Urgências



In
Expresso
3/3/2007

março 01, 2007

Inclusão escolar

O sistema educativo canadiano é descentralizado, estando a responsabilidade de decisão confiada a cada província ou território, com o seu ministro da Educação. Não existe, neste caso, um currículo nacional, nem tão pouco uma coordenação geral sobre, por exemplo, a idade de entrada na escola e sobre a duração dos níveis e ciclos de ensino, variando a escolaridade obrigatória dos 5 aos 18 anos.
A discussão de momento na Província British Columbia diz respeito à política de inclusão escolar. O ministro que tutela a educação pretende que os alunos com dificuldades especiais de aprendizagem frequentem esolas diferentes das escolas ditas "normais", onde estão inseridos neste momento.
Algumas associações de professores e pais pretendem que a educação e socilização destes alunos seja feita de um modo mais abrangente possível, sem a necessidade de criar espaços especiais de inclusão. Outros, e sobretudo em nome do princípio da livre escolha, defendem que é aos pais que cabe essa decisão, devendo a província assegurar, através do financiamento com dinheito oriundo dos impostos, a possibilidade de ser concretizada.
Se há situações de aprendizagem que reclaman a existência de escolas especiais, a política educativa de inclusão, pelo menos em Portugal tem sido esse o entendimento, faz-se pelo princípio da proximidade e não pelo da exclusão.