maio 11, 2014
fevereiro 24, 2014
PAREDES DE COURA [Vítor Paulo Pereira]
“O novo presidente da Câmara de Paredes de Coura é um dos indivíduos
mais preciosos que em toda a vida encontrei. O Vítor Pereira, com 44 anos e o
modo mais transparente de alma, é uma fi gura de benignidade ostensiva e eu não
sei se haverá no mundo outra pessoa assim.
Nunca
me passou pela cabeça que ele pudesse vir a ocupar um cargo destes. O que eu
sabia do Vítor passava sobretudo pela intensidade dos afectos, a
disponibilidade para os outros, o amor pela esposa e pelos filhos. Em Coura
todos o conheciam. Ele mistura-se com quem andar na rua. Não tem filtros e não
aguenta adiar abraços.
Colecciona as histórias pícaras da terra. Ri-se
desbragadamente, apoliticamente, como se rir fosse mesmo a melhor das inteligências.
Por ser assim, é o que mais tem para dar aos outros, uma energia honestamente
votada à felicidade de existir.
O
que verdadeiramente me impressiona no senhor presidente da Câmara de Paredes de
Coura é, no entanto, a sensibilidade. A sua comoção com as coisas, a celebração
dos dias mas também a tristeza sempre consciente do que a vida nos vai fazendo.
O que nos tira, quem nos tira, quem nos vai tirar. Eu, que sou um aflito com sensibilidades, percebo bem aquilo que candidamente o Vítor conta. Entendo e acho que a humanidade só existe quando, exactamente, fazemos da felicidade e da tristeza um assunto que chega também, ou sobretudo, dos outros.
Eu não tenho dúvidas de que muitos presidentes de câmara serão imbuídos de um espírito construtivo, um espírito bom, mas não acredito tanto que o nível de lisura do Vítor se repita completamente. Seria a salvação do mundo, se em cada dez houvesse ao menos um assim. Coura inaugurou, antes do Verão passado, a nova biblioteca, a de Aquilino Ribeiro. Uma casa recuperada que se estendeu e que fi «ca de vistas para a paisagem.
Quando subimos às salas de leitura não sabemos se devemos ler ou pasmar nas janelas. Parece a diferença entre ler os livros do Aquilino Ribeiro e ver os livros do Aquilino Ribeiro diante dos olhos expostos.
Fui à nova biblioteca falar com os alunos do secundário e, à noite, com o público geral. Em ambas sessões me vi brevemente apresentado pelo Vítor que, correctamente desimportado com o que vem na wikipédia, repetiu que somos amigos. Pus-me de peito inchado, porque também tenho orgulho e nem sempre o disfarço.
(...) Um dia destes volto. Vou voltando
sempre. Agora, mais do que nunca, feliz por acreditar que Paredes de
Coura está magnificamente cuidada pelo Vítor Pereira. Um
homem de profunda boa fé”
Valter
Hugo Mãe, escritor, Jornal PÚBLICO, 23.2.2014.
fevereiro 10, 2014
Tribunal de Paredes de Coura
Foi encerrado o tribunal de Paredes de Coura.
Por decisão de um governo neoliberal, em nome do PSD
e CDS. De um governo que desgoverna. De
um governo que tira a identidade às freguesias, impondo, à força, uma união não
desejada.De um governo que gosta de pôr o pé em cima das pessoas, humilhando-as a todos os níveis. De um governo que não olha a meios para atingir os seus fins, ou os interesses financeiros de uma troika, sem rosto e sem orientação.
De um governo que empobrece as pessoas, engordando os senhores do dinheiro, sobretudo se forem estrangeiros. De um governo que volta as costas ao interior, querendo transformar o país num longo e estreito corredor do litoral que vai de Porto a Lisboa.
De um governo que é forte para com pobres e fraco para com os ricos. De um governo que não cumpre a palavra. Que não sabe o que é o sofrimento social de muitos portugueses.
De um governo que se esqueceu das promessas eleitorais, tendo-as metido na gaveta. De um governo sem alma social. De um governo sem memória, sem compromissos com os portugueses e subordinado a interesses económicos estrangeiros.
janeiro 26, 2014
NARCISO ALVES DA CUNHA - O LEGADO DA SABEDORIA
Mais
um ano, mais uma década e tantas outras, e cumprem-se, a 14 de janeiro de 2013,
os 101 anos da morte de Narciso Alves da Cunha. Quanto mais leio sobre este
courense, cujo legado é o da sabedoria, através quer do que escreveu, quer do
que foi como homem político, com voz ativa no município e no senado
republicano, para além da sua formação de clérigo e de bacharel em direito,
mais me entusiasma o seu conhecimento e sobretudo a sua dedicação às terras de
Coura. Não há dúvida alguma que foi o que escreveu até hoje as palavras mais
dedicadas - e bairristas, há que dizê-lo! - a uma terra que escolheu como berço
e a quem prestou o seu tributo, numa comunhão com o povo, que sempre foi o seu
lema de homem comprometido com a sua origem rural.
Na
entrevista que concedeu ao jornal “A Capital”, a 14 de junho de 1911, no
momento em que assumiu o seu lugar de senador, Narciso Alves da Cunha proferiu
estas palavras: “O meu partido é o Povo, principalmente o rural, de onde
provenho e com quem sempre tenho vivido”.
Em
intervenções que fez no senado, tendo-se revelado um tribuno na oratória, com
ideias e com capacidade de dissuasão, disse a 22 de janeiro de 1911: “Vou
pedir-lhes que desçam do sétimo céu das suas teorias e quiçá das suas
filosofias bizantinas e venham à terra observar os costumes, os usos, as
práticas, o feitio, a índole e as necessidades do povo, para depois, poderem
argumentar. Nesse terreno, talvez eu possa discutir e acompanhá-los”.
Ainda
na mesma intervenção: “Ninguém desconhece, Sr. presidente e Srs. senadores, que
o povo do Norte, e, sobretudo, o povo do Minho, é extremamente agarrado à
terra, ao solo em que nasceu, à paróquia; é um povo que se não desloca; é um
povo que nasce, cresce, muda de estado e morre sem quase sair da paróquia em
que nasceu ou constituiu família. Pois, acaso, poderemos nós chegar ao
convencimento de que o povo dos campos há de ir procurar a escola, se esse povo
não só está agarrado à terra, mas, a todo o momento, precisa de tratar das suas
culturas, do amanho da mesma terra, das regas, dos adubos, e até da sua casa
doméstica, em geral, pobre, e às vezes crivada de dívidas? Sem se assegurar o
pão do corpo, não se procura o do espírito, é uma verdade incontrastável. Ou
nós havemos de tomar a iniciativa de levar a esta gente a luz, de que precisa,
até dentro das paredes enegrecidas das suas casas, ou, então, havemos de vê-la,
constante e indefinidamente, na escuridão em que tem vivido até agora?”
Por
último, e mantendo-se o registo da mesma intervenção parlamentar, Narciso Alves
da Cunha definiu a sua ambição política, ao mesmo tempo que traçou o seu
futuro: “É a minha própria consciência que o afirma; e, nesses poucos dias de
vida que me restam, o meu ideal continuará a ser o Povo”.
Poucos
dias, de facto restaram, pois dois anos passados recebia-se, através de um
fatídico telegrama, a triste e dura notícia da sua morte.
Resta-nos
recordar e eternizar a sua memória pelo seu legado de sabedoria.
janeiro 01, 2014
Paredes de Coura em 1932
In "Anuário do Distrito de Viana do Castelo", Volume I, pp. 243-247
http://gib.cm-viana-castelo.pt/documentos/20100331125702.pdf
In "Anuário do Distrito de Viana do Castelo", Volume I, pp. 243-247
http://gib.cm-viana-castelo.pt/documentos/20100331125702.pdf
abril 03, 2013
Tomada de posse da Presidência do Instituto de Educação
A
tomada de posse da nova Presidência do Instituto de Educação da
Universidade do Minho realiza-se esta quinta-feira, dia 4, às 16h30, no
auditório do Instituto de Educação, sito no campus de Gualtar, em Braga. A cerimónia de investidura é presidida pelo Reitor António M. Cunha.
Presidente:
Professor Doutor José Augusto Brito Pacheco
Vice-Presidentes:
Professora Doutora Leonor Maria Lima Torres
Professora Doutora Ana Maria Silva Pereira Henriques Serrano
Convida-se toda a comunidade académica a participar nesta sessão.
__________________________________________
Gabinete de Comunicação, Informação e Imagem
Universidade do Minho
Tel.: (+351) 253601109 | 961766329
Fax: (+351) 253601105
E-mail: gcii@reitoria.uminho.pt
março 26, 2013
Estamos
em meados do século XX, quase nos tempos findos da II guerra mundial. Coura
vivia em sobressaltos, sem informação e a que se conseguia ouvia-se pela rádio.
Já
tinha passado o pesadelo da guerra civil de Espanha, que se revelava pelo
barulho longínquo das armas de guerra e pelas mortes que covardemente
aconteciam, e o futuro não se vislumbrava na linha do horizonte.
O
remédio era mesmo emigrar. Partir para terras do Brasil, à procura de sucesso
era o desejo que mais se inscrevia nos homens e mulheres deste tempo. E muitos
da família Pacheco, com origem em Ferreira, fizeram-no.
Primeiro,
foi o Abílio, que partiu na sua adolescência em direção ao Rio de Janeiro. Chegou,
trabalhou e morreu. Ainda casou e deixou um filho que entretanto outro filho
deixou, desconhecendo por inteiro as raízes de seu avô.
Em
segundo, partiu Augusto, um exímio carpinteiro. Um verdadeiro gentleman, de finura no trato e
carinhoso nas palavras de família.
A
cidade do Rio de Janeiro ainda o reteve uma década, mas regressou para o seu
ofício, com uma outra imagem do mundo, criando filhos, que também emigraram,
mas agora para a Europa.
Por
último, Amadeu. Fez-se emigrante por motivos políticos. Teve uma querela
jurídica e, atempadamente, foi avisado, por voz amiga, que o melhor seria
partir, para não ser apanhado nas malhas da Pide.
Assim
o fez. Quase clandestinamente, chegou ao Rio de Janeiro e imediatamente começou
a trabalhar, como carpinteiro, na ampliação do porto de mar. Passou anos e anos
por ali, mas depois tornou-se operário de uma fábrica na Vila Isabel, mesmo ao
lado do Maracanã.
A esposa logo apanhou um transoceânico e a
vida deles deixou de ser courense. Também os dois filhos fizeram o mesmo
percurso, partilhando o mesmo destino: partir para não mais voltar
Por
Coura ficaram Arnaldo e Cândida, os restantes membros da família de José e
Carlota. Estiveram sempre em contacto com os irmãos, mas a ligação foi-se
tornando mais ténue, a não ser com Augusto, entretanto regressado às origens.
Receberam
a notícia da morte dos irmãos e choraram na sua dor interior de uma família
destroçada pela emigração. Sabiam como eram as suas vidas longínquas, trocavam
cartas e fotografias e aproveitavam a Páscoa para reunir a família de Coura e
saber novas de terras brasileiras.
Por
isso, ainda considero que a Páscoa é um momento de confraternização,
trazendo-me de volta a família da emigração, com tudo o que isso significa de
dor silenciosa.
março 04, 2013
Saí
de Tóquio em direção a Singapura e ainda fui a tempo de presenciar comemorações
do novo ano chinês, em que o bairro de Village se encheu de barracas de comes e
bebes, trazendo-me à memória o que acontece em Coura todos os anos, quando o
largo da feira se enche de comida tradicional e se empanturra de vinho e
cerveja.
Mesmo sendo um ponto de passagem,
pois é um dos maiores centros distribuidores do mundo ao nível de passageiros
aéreos e de contentores comerciais, Singapura tem uma beleza urbana que jamais
se pode esquecer. É
principesca nos seus edifícios e exibe os sinais de uma das sociedades mais
organizadas que poderemos conhecer, apesar de ser uma democracia imperfeita,
lembrando a frase que se utiliza para os tempos gregos de Péricles e companhia.
E
chego a Timor, mais concretamente a Díli, levando na bagagem a expetativa de
saber como iria reencontrar a cidade depois da saída da quase maioria do
pessoal da ONU e também do contingente da GNR. E
Díli mudou imenso. Há menos circulação de carros oficiais, ou de jipes
superprotegidos de pessoas bem pagas internacionalmente, continuando mesmo
assim o trânsito frenético de motas e de táxis.
Desta
vez, circulei muito pouco dentro da ilha. Apenas fui a Liquiçá e Maubara, numa
visita rápida, pois as estradas, como diz o Snr. Félix – um dos homens mais
simples de Timor e um dos mais teóricos da sabedoria popular -., estão cada vez
mais preguiçosas, ou seja, com muitos obstáculos que as tornam lentas e quase
imprevisíveis.
Depois
da forte de Maubara, chamou-me a atenção um conjunto de campas brancas, moídas
de sujidade pelo tempo. Aproximei-me
e, amarguradamente, contei, na primeira fila, 12, e na 2ª fila, cinco. Li, em
voz alta, os seus nomes, todos eles escritos em língua portuguesa, e confirmei
a data da sua morte, a 6 e 17 de abril de 1999. Todos
jovens, entre os 14 e 22 anos. Que dor de alma esta imagem de incompreensão
humana, sobretudo quando se está perante alguém que lutou para ser livre,
acreditando no entendimento entre as pessoas. Mais
uma vez, socorri-me do conhecimento do Snr. Félix, que me informou que se
tratou de dois massacres. Fico sem palavras e um arrepio percorre-me o corpo,
impondo-me o máximo de respeito por estes jovens, cobardemente assassinados.
Torno
a ler os seus nomes, agora, no meu silêncio de sofrimento, e fico
distraidamente a olhar para as águas azuis de um mar calmo que se prolongava à
minha frente.
Gostaria de ter ficado assim mais tempo, mas
tive de voltar a Díli, já que as estradas estavam inundadas de uma chuva
copiosa que caíra sem parar durante algumas horas.
fevereiro 25, 2013
Acabo
de estar três dias inteiros em Tóquio. Não
há palavras que possam descrever tudo o que presenciei e senti, mas como a
crónica me obriga, tenho de selecionar alguns desses momentos.
Se
há cidades simples e complexas, Tóquio é uma delas. Tudo funciona bem, de forma
superorganizada, no meio da mais vasta concentração de pessoas, que enchem por
completo as ruas, sempre movimentadas.
Há
regras socialmente aceites. Não se fuma na rua, a não ser em locais devidamente
sinalizados, há respeito máximo pelas pessoas e os carros ocupam um lugar
secundário.
Em
contrapartida, há uma rede de metro por toda a cidade (de dez milhões, que é
sensivelmente igual à população portuguesa), que ainda é o melhor guia que se
pode escolher para ir a qualquer lado.
As
ruas são, por isso, o palco principal e por elas transitam milhares de pessoas,
em direções diferentes, dando vida e colorido a uma multidão que não dispensa
as novas tecnologias, sobretudo tudo o que diga respeito a telemóveis e
aparelhos individuais de música.
É
uma cidade jovem, observando-se essa faceta na publicidade viva que torna os
prédios mais coloridos. É uma cidade de parques e jardins, que enchem no fim de
semana, como se fossem espaços obrigatórios de lazer.
É
uma cidade de templos, com a sua espiritualidade oriental, em que a religião se
vive mais por dentro do que por fora. É uma cidade de contrastes. De torres
gigantes e de prédios urbanos que mais parecem linhas ondulantes numa paisagem
perfeita. De uma delas, vê-se o espetáculo do pôr-do-sol no monte Fuji, um dos
grandes símbolos do Japão.
Mas voltemos
às ruas. Continuamos a ser surpreendidos pelos comportamentos das pessoas.
Ninguém
passa à frente de ninguém; há o vício das filas; ninguém, aparentemente, se
aborrece com o outro; há gestos de compreensão; ninguém furta o que é alheio;
há um controlo de proximidade; ninguém ousa desobedecer às sinaléticas que
estão por todo o lado.
Porém,
Tóquio não é uma cidade cosmopolita, de todos os viajantes e estranhos
possíveis. Permanece fiel a um modo de vida oriental, sem a ocidentalização que
se verifica, por exemplo, em Singapura.
Tóquio
é uma cidade única, que apenas conheci, em companhia dos meus filhos, em três
dias. Mesmo assim, penso que é uma cidade que apenas se conhece depois de muitas
horas de pés cansados.
janeiro 22, 2013
janeiro 20, 2013
"CANALHÍADES"
(escrito por alguém que observa a crise):
I
|
janeiro 16, 2013
dezembro 31, 2012
dezembro 27, 2012
O Presidente da Câmara Municipal de Paredes
de Coura tem a honra de convidar V. Exa. para as Comemorações do Centenário da
Morte de Narciso Cândido Alves da Cunha (1851-1913), que decorrerão nos dias 11
e 12 de Janeiro p.f., com o seguinte programa:
_________________________________________________________________________________
Sexta-feira
– 11 de janeiro
Inauguração da mostra documental, concebida pelo Arquivo Municipal de Paredes de Coura, “Narciso Cândido Alves da Cunha – o legado da sabedoria”.
Casa do Conhecimento CMPC/UM
Lançamento do livro Narciso Alves da Cunha – entre a Monarquia e a República, da autoria do investigador e docente da Universidade do Minho, Prof. Doutor José Augusto Pacheco. A obra contará com as apresentações dos académicos Prof. Doutor Jorge Alves e Dr. Victor Paulo Pereira.
___________________________________________________________________________
Sábado – 12 de janeiro
Casa do Conhecimento CMPC/UM
10h30 – Conferência: Deputados Minhotos da Monarquia e da 1ª República, de Victor Paulo
Pereira (doutorando da Universidade do Minho).
14h30* - Passeio, por locais emblemáticos do concelho de Paredes de Coura, referenciados na monografia, da autoria do Dr. Narciso C. Alves da Cunha, pontuado pela leitura de textos escolhidos pelo autor do livro Narciso Alves da Cunha – entre a Monarquia e a República.
*Concentração junto à Loja Rural. Lugares limitados em autocarro (inscrição obrigatória).
António Pereira Júnior Presidente)
dezembro 04, 2012
Há muitas formas de qualificar as políticas do atual governo. A nível económico, a grande maioria dos analistas diz que é de desastre total.
A nível autárquico, digo eu, é de completo desprezo pelo poder local, com o que se está a fazer em termos de freguesias e o que se pretende fazer em termos de comunidades intermunicipais e agregação de concelhos.
O governo, na sua relação insensata com o poder local, age na base da fuga para a frente. Tem um grave problema pendente relacionado com as freguesias e quer distrair os autarcas com as novas competências das comunidades intermunicipais, em que se regista a criação de mais emprego político, mas sobretudo com a prometida aprovação, para janeiro de 2013, de uma nova lei -quadro dos municípios.
E isto, pasme-se, em pleno ano eleitoral!
Pobre governo é este e pobres são os seus legisladores!
E quem fica a perder é a imagem da Assembelia da República, pois a do governo já há muito se foi.
A nível autárquico, digo eu, é de completo desprezo pelo poder local, com o que se está a fazer em termos de freguesias e o que se pretende fazer em termos de comunidades intermunicipais e agregação de concelhos.
O governo, na sua relação insensata com o poder local, age na base da fuga para a frente. Tem um grave problema pendente relacionado com as freguesias e quer distrair os autarcas com as novas competências das comunidades intermunicipais, em que se regista a criação de mais emprego político, mas sobretudo com a prometida aprovação, para janeiro de 2013, de uma nova lei -quadro dos municípios.
E isto, pasme-se, em pleno ano eleitoral!
Pobre governo é este e pobres são os seus legisladores!
E quem fica a perder é a imagem da Assembelia da República, pois a do governo já há muito se foi.
dezembro 01, 2012
Pela calada da maioria, numa conivência antidemocrática, que alia passos de andantes errados e portas fechadas, a Assembleia da republicazinha portuguesa, contrariamente aos votos que legitimaram os seus deputados de meros apoaintes de um governo desgovernado, agendou para o dia 6 de dezembro a questão da agregação das freguesias. Trata-se tão só de um golpe do poder central em relação ao poder local, que, por vasta maioria, disse NÃO a esta lei absurda e antidemocrática.
novembro 26, 2012
Concentração de escolas do 1º cico em Paredes de Coura.
Um vídeo oportuno.
http://www.publico.pt/multimedia/video/ha-oito-anos-que-ha-uma-unica-escola-de-1-ciclo-em-paredes-de-coura-634892054949930087
novembro 25, 2012
Jornal "O Público" de 25 de novembro de 2012:
"... Desconcertante, é como José Pacheco, da Universidade do Minho, classifica o modo como este debate [ensino dual] foi lançado pelo Governo: não existe um documento, um projeto, nada que defina de forma sustentada e que posssamos analisar. Isto não é normal".
"... Desconcertante, é como José Pacheco, da Universidade do Minho, classifica o modo como este debate [ensino dual] foi lançado pelo Governo: não existe um documento, um projeto, nada que defina de forma sustentada e que posssamos analisar. Isto não é normal".
novembro 21, 2012
É, por certo, o governo mais
desacreditado de todos os tempos, desde o constitucionalismo liberal até aos
governos republicanos, é, sem qualquer dúvida, o presidente mais calado do
regime democrático, é, sem qualquer medo de dizê-lo, o ministro mais inadequado
de todos os governos, é, como todos reconhecem, o momento mais crítico para o
poder local, para não falar no estado caótico e desordenado das finanças
públicas.
É com estes sujeitos políticos e
é neste contexto que, em nome de uma chamada unidade técnica para a
reorganização administrativa do território, o município de Paredes de Coura,
como em tantos outros, é confrontado com uma “proposta concreta” de agregação
de freguesias.
Na ausência de pronúncia, a
referida comissão, mandatada pela assembleia da república, decidiu, a regra e
esquadro, o que os eleitos locais não decidiram, pois não só discordaram, por
unanimidade, da lei imposta de cima para baixo, bem como contestaram a
aplicação desgarrada de outras leis, por exemplo, a das finanças locais e a da
eleição do poder local.
Eles, os do terreiro do paço,
decidiram pelos outros, os do poder local. Esta é a triste realidade da
política portuguesa. E decidiram sem legitimidade, dado que a criação e
extinção de freguesias é uma das competências do poder local, não podendo ser
realizada por um governo democraticamente desacreditado que ignora os
princípios políticos do poder local.
Decidir como quer decidir a
assembleia da república, escudada por uma comissão técnica, de natureza
administrativa, é uma ameaça séria ao poder local e ao seu contexto histórico,
construído há séculos pelo municipalismo.A proposta apresentada, que terá de ser validada pelos deputados da maioria, é surrealista, sobretudo no modo como se arroga na pretensão de interpretar a lei, juntando de forma quase arbitrária as freguesias.
Caíram nesta malha politicamente estúpida as freguesias de Porreiras, Insalde, Paredes de Coura, Resende, Bico, Cristelo, Cossourado, Linhares, Formariz e Ferreira. “A união das freguesias de…” é a designação que se pretende para o futuro.
Porém, e os decisores não leram, ou não quiseram ler, que as todas as assembleias de freguesia do município e a assembleia municipal rejeitaram, por unanimidade, a implementação da referida lei.
Quer dizer, assim, que temos um governo central que é surdo para com o poder local, sendo, de igual modo, mudo no modo como dialoga, “protegido pela maioria”, com esse mesmo poder local.
E esta posição é politicamente insustentável e democraticamente inaceitável.
novembro 13, 2012
novembro 07, 2012
Regressei
a Cabo Verde. Por uns dias, mas que se vão transformando em semanas.
Está-se
bem pela Praia, uma cidade que foi crescendo ao ritmo da maturidade democrática
no período pós-independência (sendo de considerar 1975, de Portugal, e 1980, da
Guiné) onde se respira uma transição de culturas e por onde se entra numa porta
especial da africanidade.
Entretanto,
escrevo estas palavras do Mindelo, na ilha de S. Vicente, um lugar especial, a
terra de Cesária Évora, que agora tem o seu nome estampado no aeroporto, e
merecidamente. Disseram-me, aqui, que o seu funeral foi uma das manifestações
populares mais memoráveis de todos os tempos.
É
fim de tarde e do meu poiso de escriba errante, observo o monte cara, de uma
figura de corpo deitado, dormindo em silêncio o sono profundo do tempo, e
iluminado pelos raios enfraquecidos de um pôr do sol que brinca com as nuvens
escuras que abraçam a ilha de Santo Antão.
Este
fim de tarde coloca-me num outro lugar. Em Díli, na praia branca. O que hoje
ouvi, numa conferência de um académico cabo-verdiano, trouxe-me de volta Timor.
Da
última vez que por lá andei, frequentei, na referida praia, com um sol vermelho
mergulhando no mar de ondas douradas, o restaurante chamado morabeza.
E esse
académico falou precisamente sobre a identidade singular dos cabo-verdianos,
que definiu como sendo um processo histórico de encontrão, ou seja, de
adaptação constante a uma nova realidade, de enorme dureza e cheia de
dificuldades climatéricas, geográficas e económicas. Pela sua natureza histórica,
o povo cabo-verdiano é uma síntese do quase impossível: o de querer estar
naquilo que é a insularidade e o de querer partir para outros mundos, como se
estivesse em permanente viagem.
Tal
identidade, que é plural e se alimenta da diáspora, tem uma palavra que é
central na sua construção: morabeza.
Agora
compreendo por que razão o tal restaurante, em Díli, pertence a um
cabo-verdiano e de que modo morabeza tem
um sentido diferente do que a palavra saudade.
É uma saudade de contentamento, não de tristeza
e de melancolia e de solidão interior.
Não se volta para o interior do sujeito, mas para o seu exterior, sendo
algo que se cultiva na lógica de uma pertença a um espaço, que deixou de
existir e que apenas é feito de memórias e tradições. Morabeza é o pensar positivo de um destino, é uma palavra viajante,
sem destino algum, alimentando-se dos dias que passam e que se consomem no
tempo. Morabeza é o que se recorda
com alegria e com satisfação, sem pressentimentos negativos e acreditando num
futuro que ainda é possível. Por isso, esta palavra é tão utilizada na
caraterização da identidade dos cabo-verdianos, já que nas veias não lhe corre
o sangue da tristeza mas, pelo contrário, a musicalidade africana.
Bem,
preciso de terminar esta crónica, pois espera-me o regresso à cidade da Praia
levando na mochila que transporto um bocadinho de morabeza, pois do Mindelo há
imagens que ficam para sempre e das quais nos vamos tentando recordar. E uma
imagem que levo comigo é a da noite das “bruxinhas”, vestidas eroticamente de preto,
inundando uma das baías mais bonitas que já conheci.
Sim,
Mindelo é especial. É morabeza.
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