abril 30, 2007

Autoridade (II)

A autoridade dos professores sobre os alunos estará de regresso, pelo menos ao nível dos normativos, conforme pretendem os responsáveis políticos.
Tudo muito simples: a indisciplina e violência nas escolas resolve-se com autoridade. E como se resolve dentro da sala de aula? Também com mais autoridade?
Se sim, estamos no reino da pedagogia musculada.
Se assim fosse, há muito que o problema estaria resolvido. Quando os problemas são complexos não basta puxar pelo bastão do poder, sendo necessário tentar compreender o porquê desses problemas. No entanto, a educação vai-se transformando num amontoado de normativos que em nada contribuem para a resolução dessa questão.

março 25, 2007

Indisciplina

A indisciplina nas escolas portuguesas é um tema recorrente, procurando-se em cada entrevista, em cada estudo, em cada análise os factores preponderantes.
Em entrevista ao JN, João Amado, Universidade de Coimbra, e João Lopes, Universidade do Minho, reflectem sobre uma realidade com a qual os professores aprenderam a viver.
Contudo, não creio que a solução passe por mais autoridade, nem mesmo por mais formação.

março 24, 2007

Niqab (II)

A província de Quebec, uma das dez províncias do Canadá, acaba de proibir o uso do véu muçulmano ( Niqab) por parte das mulheres que exerçam o seu direito de voto. Se o utilizarem, devem ter o rosto bem visível, de modo que possam ser facilmente reconhecidas.
O motivo que fundamenta a decisão é somente político, acreditando-se que a identificação das pessoas é, acima de tudo, uma questão de democracia e não de acomodação pessoal.

março 23, 2007

Mais encerramentos?

O Sindicato de Professores da Região Centro denunciou, a agência LUSA difundiu e o Ministério da Educação desmentiu, do seguinte modo:
"O Ministério da Educação desmente formal e categoricamente que haja qualquer sinalização de jardins-de-infância para futuro encerramento...".
Bem, vamos esperar para ver...

março 21, 2007

Niqab

Quando se pretende justificar uma questão política através de um argumento sem sentido tudo se torna mais ridículo.
Uma Comissão, intitulada para a Educação e Perícia, aconselha a proibição do véu (Niqab) pelas muçulmanas em escolas inglesas por questões de segurança e de aprendizagem, na medida em que, segundo os ditos especialistas, "o niqab não permite ao professor saber se a aluna está feliz ou triste, se está a rir ou a chorar", embora também admitam que "não está provado que prejudique a aprendizagem."
Enfim, se a utilização do véu é um assunto religioso, e também cultural, é completamente ridículo invocar um factor pedagógico para justiticar uma decisão que se inscreve numa agenda estritamente política, sobretudo no combate ao terrorismo.
Seria muito mais sensato que o problema fosse resolvido somente na base de argumentos políticos.

março 20, 2007

Vancouver (Capilano)


Vancouver (Capilano)


Vancouver (Capilano)


Escolas S.A.

O presidente da Parque Escolar, em recente entrevista, declarou que as escolas poderão ter no seu interior unidades de negócio, que visam racionalizar produtos e serviços tanto em horário escolar, quanto em horário pós-escolar. E mais disse: "As regras vão ser a criteriosa escolha de produtos e de fixação de preços (não se trata de um mini centro comercial) e o rigoroso controlo de qualidade dos produtos a vender".
De facto, a lógica de mercado age muito mais depressa do que pensamos.
Por isso, bem-vindos às escolas do futuro- as Escolas S.A.

março 16, 2007

março 13, 2007

Vancouver


As árvores
morrem
de pé...

Vancouver



Espreitando o
Pacífico...

março 12, 2007

Público/Privado

A proposta, apresentada por partidos de esquerda, para a criação de um serviço nacional de segurança social
na Suiça acaba de ser rejeitada por 70% do eleitorado. Com uma tradição de participação nas questões públicas, através do referendo, a Suiça, dentro do seu mosaico de descentralização, reconhece que entre público e privado há aspectos que necessitam de ser repensados, pois se não é verdade que "tudo o que é privado é bom, tudo o que é nacional é mau", também não será totalmente correcto dizer que "tudo o que é nacional é bom, tudo o que é privado é mal".

março 09, 2007

Professor Titular

O Ministério da Educação começa a regulamentar o Estatuto da Carreira Docente, dando prioridade ao concurso para Professor Titular.
O texto que está em discussão, ainda que este termo não tenha um significado acrescido para a 5 de Outubro, estabelece uma série de critérios, que globalmente podem ser adequados.
O problema residirá sempre em saber se o que deve ser salientado é o professor-administrativo, aquele que desempenha essencialmente cargos de gestão escolar e pedagógica, ou o professor-investigador, o que faz da sua prática uma constante problematização em termos pedagógico e curricular.
A funcionarização do professor é algo que tem vindo a consolidar-se nas escolas portuguesas, podendo este diploma introduzir outros critérios imprescindíveis para a sua avaliação, caso da formação pós-graduada.
No entanto, o que o professor faz no que diz respeito a projectos e práticas de investigação escolar parece insuficientemente valorizado.

março 07, 2007

Relatório do Conselho Nacional de Educação

O Debate Nacional sobre Educação, que decorreu de 21 de Maio de 2006 a 22 de Janeiro de 2007, está aprresentado no relatório do Conselho Nacional de Educação.
O Debate pôs em evidência alguns problemas bem conhecidos, como sejam, o abandono escolar precoce e desqualificado (antes do 12º ano), o baixo nível dos resultados de aprendizagem e as taxas de conclusão dos cursos superiores insatisfatórias.
Acresce que a educação continua a não ser uma prioridade para muitas autarquias, empresas, organizações da sociedade civil e famílias o que se traduz na fraca articulação das instituições sociais locais com a escola, a par de algum desinteresse das famílias, justificado pela sua falta de disponibilidade face às exigências do mercado de trabalho.
Constata a permanência de desigualdades no acesso e sucesso dos alunos. Os oriundos de famílias de melhor nível cultural são os que chegam mais facilmente ao ensino superior. A crescente desigualdade social e a diversidade cultural, resultante da presença de novos grupos étnicos na escola, constituem dificuldades acrescidas no desempenho da missão da escola.
Considera que o actual modelo de administração educativa, caracterizado pelo centralismo burocrático, em detrimento de processos mais contextualizados e autónomos da acção educativa, constitui uma limitação que impede frequentemente a melhoria do sistema.
Outro facto identificado é o de as escolas estarem sobrecarregadas com vastas funções sociais que as afastam da sua missão central. Esta situação afecta, especialmente, as que recebem populações com problemas de inclusão social provocando uma desigualdade de condições no cumprimento da missão da escola.
A cooperação entre as escolas e as famílias é reconhecida como uma das chaves do sucesso escolar, mas encontra-se prejudicada quer pelas famílias que transferem para a escola todas as missões educativas, quer pelas escolas que dificultam a participação das famílias.
Identificadas as questões críticas mais prementes, o relatório propõe uma estratégia “nacional” de melhoria da educação em Portugal, de natureza política, e apela à intervenção de todos, no sentido de superar as tradicionais opções de natureza exclusivamente administrativa e técnica.
Esta estratégia assume o paradigma da Aprendizagem ao Longo da Vida, o que implica uma orientação assente nas seguintes prioridades: Alargar a educação de infância, desenvolvendo a rede de educação de infância dos 0 aos 3 anos e intensificando o esforço de universalização da educação pré-escolar dos 3 aos 5 anos; maior atenção e cuidado com as crianças e jovens com necessidades educativas especiais; criação de ofertas formativas diversificadas que permitam satisfazer uma maior procura de aprendizagem de jovens e adultos pouco escolarizados; promoção de novas oportunidades de aprendizagem para os mais desfavorecidos; incremento do reconhecimento, validação e certificação de importantes competências adquiridas ao longo da vida e no exercício profissional, como estratégia de melhoria do nível geral de qualificação da população e de estímulo à procura de mais educação e formação; criação de condições de apoio às decisões familiares de maior investimento na educação escolar dos filhos; clarificação e reforço das responsabilidades dos municípios na educação; melhoria da qualidade do ensino superior e da investigação científica e tecnológica.
Em síntese, muitos dos problemas que ocorrem nas escolas não são problemas escolares nem podem ser resolvidos com a acção isolada das escolas e dos seus professores. A promoção de melhor educação é tarefa de todos e terá de passar por compromissos sociais muito concretos, tanto nacionais como locais. Comunidades particularmente ricas em oportunidades de acesso e usufruto de bens educativos e culturais são também comunidades em que a frequência escolar é incentivada e o sucesso escolar é potenciado.

março 05, 2007

Autoridade?

Os discursos sobre a autoridade dos professores e das escolas está de novo na agenda política com o anúncio da alteração do estatuto do aluno, de modo a considerar as agressões a professores como crimes públicos. Em primeiro lugar, há aqui duas contradições gritantes: ao mesmo tempo que se retira credibilidade profissional ao professor, convertendo-o num funcionário administrativo, procura-se acrescentar-lhe alguma credibilidade social; por um lado, a educação deixará de ser um serviço público, conforme intenção declarada deste governo, por outro, a violência contra um professor será crime público. Trata-se de um mero jogo de linguagem?
Em segundo, com o retorno à autoridade há mais uma vez uma medida de remendo político, já que se procura incidir nos efeitos, sem ter em conta as causas. Se a indisciplina é uma realidade em muitas escolas, nalgumas será mesmo insuportável, também é verdade que a escola e o conhecimento, que os alunos aprendem, não estão devidamente reconsiderados numa possível estratégia de mudança.
Contudo, devemos reconhecer que o “politicamente correcto” está em proclamar mais autoridade e não propriamente em tentar resolver os problemas de uma forma mais substantiva e global. Quem perde, neste caso, é a escola, são os professores e os alunos.

"Professor Horista"

No Brasil, o docente que desempenha a actividade sem um vínculo à instituição é designado por "Professor horista", isto é, o professor que ganha à hora, como estivesse a desempenhar um mero serviço.
Se os ensinos básico e secundário já têm esta situação, reforçada agora no 1º ciclo do básico pelos professores responsáveis pelas actividades de enriquecimento curricular, sem um vínculo à autarquia ou ao ministério, e em muitos casos contratados por empresas, o ensino superior corre para esse caminho, se o ministro persistir, com as suas políticas restritivas em termos de orçamento, em mandar para o desemprego muitos docentes.

março 04, 2007

A Origem dos Ministros

O Reitor da Universidade Técnica de Lisboa, em entrevista ao PÚBLICO, de 4 de Março de 2007, revela a origem de muitos ministros da educação... e depois os Outros é que são responsabilizados....
"É verdade! Desde há muito tempo que os presidentes da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) têm sido da UTL, assim como os ministros da Educação, Ciência e Ensino Superior: Roberto Carneiro, Marçal Grilo, Mariano Gago, Pedro Lynce, Maria da Graça Carvalho. Também João de Deus Pinheiro" (sic).

Identidades Canadianas

Desconheço que os portugueses sintam algum desconforto em relação ao seu modo de ser, podendo dizer-se que há um “povo português”, cimentado por uma coesão histórica de séculos, tal como há uma “comida portuguesa”, para não falar da “saudade”, palavra que expressa um significado bem característico de ser português.
Depois de algum tempo no Canadá, observo que não há uma “comida canadiana”, nem um “povo canadiano”. Da leitura dos jornais e das conversas, embora mais académicas, poderei dizer que a identidade canadiana é muito fluida, talvez pelo facto de o Canadá ser hoje em dia um país de migrantes, um país com muitas raízes multiculturais.
Daí que o canadiano, regra geral, veja dois tipos de povos: os migrantes, que fazem do país um vasto mosaico de línguas, e os aborígenes, os nativos, fortemente identificados na cultura e no artesanato. Por isso, o canadiano considera-se um colonizador dos aborígenes, olhando com nostalgia para o passado dos índios que o Canadá, enquanto nação e país, assimilou.

março 03, 2007

Serviço de Urgências



In
Expresso
3/3/2007

março 01, 2007

Inclusão escolar

O sistema educativo canadiano é descentralizado, estando a responsabilidade de decisão confiada a cada província ou território, com o seu ministro da Educação. Não existe, neste caso, um currículo nacional, nem tão pouco uma coordenação geral sobre, por exemplo, a idade de entrada na escola e sobre a duração dos níveis e ciclos de ensino, variando a escolaridade obrigatória dos 5 aos 18 anos.
A discussão de momento na Província British Columbia diz respeito à política de inclusão escolar. O ministro que tutela a educação pretende que os alunos com dificuldades especiais de aprendizagem frequentem esolas diferentes das escolas ditas "normais", onde estão inseridos neste momento.
Algumas associações de professores e pais pretendem que a educação e socilização destes alunos seja feita de um modo mais abrangente possível, sem a necessidade de criar espaços especiais de inclusão. Outros, e sobretudo em nome do princípio da livre escolha, defendem que é aos pais que cabe essa decisão, devendo a província assegurar, através do financiamento com dinheito oriundo dos impostos, a possibilidade de ser concretizada.
Se há situações de aprendizagem que reclaman a existência de escolas especiais, a política educativa de inclusão, pelo menos em Portugal tem sido esse o entendimento, faz-se pelo princípio da proximidade e não pelo da exclusão.

fevereiro 27, 2007

De reforma em reforma...

Stio do Ministério em 26 de Fevereiro de 2007:
"O Grupo de Avaliação e Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Secundário entregou ao Ministério da Educação o seu primeiro relatório com recomendações.
As sugestões feitas assentam na cenarização e ponderação de argumentos de sinal contrário.
O documento identifica quatro pontos críticos, que requerem decisões mais urgentes.
O primeiro é o reforço das vertentes prática e/ou experimental nos cursos científico-humanísticos.
Esta recomendação traduz-se, designadamente, pelo aumento da carga horária em um tempo lectivo (90 minutos), se bem que associado à extinção da disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) enquanto obrigatória no 10º ano, tal como se menciona adiante, e pela formação de professores.
O segundo decorre de o curso de Línguas e Literaturas oferecer uma formação precocemente especializada e conducente a um reduzido leque de opções no prosseguimento de estudos.
O Grupo recomenda a extinção deste curso, com a correlativa integração das suas disciplinas específicas no leque de optativas bienais e anuais do curso de Ciências Sociais e Humanas.
Sobre as TIC, no que é o terceiro ponto considerado, o Grupo defende a sua antecipação para o ensino básico, uma vez que entende que se deve garantir o desenvolvimento das suas aprendizagens ao longo do 3.º ciclo do ensino básico.
O objectivo enunciado é o de, à saída do 9.º ano, todos os alunos estarem habilitados a usar aquelas ferramentas no seu quotidiano e na sua vida escolar.
Por fim, no quarto ponto, relativo à Educação Física, o Grupo valoriza a consideração desta disciplina na conclusão do Ensino Secundário" (sic).

Cântico Negro



Não sei por onde vou,
Não sei por onde vou
-Sei que não vou por aí!

In Cântico Negro,
José Régio

fevereiro 26, 2007

Banff


Banff, Alberta, Canadá

fevereiro 25, 2007

Humor


Banff


Banff, Calgary, Canada

fevereiro 22, 2007

Conferência

Third Biennial Provoking Curriculum Conference Inquiry
in the Age of Shifting Borders and Spaces

Banff, Alberta,

Canada, 22-24, February
2007

fevereiro 21, 2007

Vancouver



Relógio no centro de Vancouver

fevereiro 20, 2007

Referências

Na procura de referências a trabalhos no âmbito da Educação, ver:
http://edrev.asu.edu/index.html

fevereiro 19, 2007

Palhaçada política

Jardim demite-se do Governo Regional da Madeira e recandidatar-se-á a novo mandato. Os partidos de esquerda criticam o momento irrisório, inlcuindo também a crítica do CDS.
Quanto ao PSD, enfim, o esperado: está totalmente de acordo.
Pois é, com um PSD assim fluido, sem rumo político, mesmo que signifique contrariar interesses regionais cristalizados no tempo, qualquer primeiro-mimnistro do PS tem a rédea solta. E Sócrates beneficia desse estado de deserção que reina no PSD "marquesado".

Vancouver


St. John College

Vancouver


University of British Columbia

Vancouver



Vancouver: praia de madeira...

Vancouver



Vancouver no Inverno e com as águas do Pacífico.

fevereiro 17, 2007

Política de números

Em protesto contra a política de saúde, que lhe impõe o fecho das urgências no concelho, o Presidente da Câmara de Valença do Minho - Drº José Luís Serra - demitiu-se de todos os cargos no PS. Idêntica posição tomou a Direcção da Concelhia.
Perante o facto consumado, e perante uma política que está a penalizar fortemente o interior e os pequenos concelhos, a que Paredes de Coura também não escapará, Valença significa uma pedrada no charco político, fazendo ver ao primeiro minsitro que está a enveredar pelo caminho errado. Não sendo meros números estatísticos, os habitantes do Alto Minho, e também os do interior, são pessoas que confiaram numa política de saúde equilibrada e digna. Ora, quem ganhou as eleições e quem tem o dever de governar, com as pessoas e para as pessoas, é o PS e não os técnicos que colocam o seu nome nos relatórios encomendados e pagos pelo governo. Se assim fosse, os partidos políticos poderiam ser substituídos por peritos, a quem nada exigiríamos porque também neles não votaríamos.

Falhas

O Dr. António Correia, director da Segurança Social de Viana do Castelo, admite, com rara frontaliadade no desempenho de cargos públicos, pois exerce as suas actividades pela competência profissional e não pelo cargo de cor partidária, que houve falhas do sistema de protecção de menores no caso da criança de dois anos que morreu em Dezembro, em Monção, alegadamente vítima de maus-tratos.
O que não diz o registo noticioso da LUSA é quem de facto tem a responsabilidade, a partir do momento em que a criança sai da tutela de Viseu e entra na de Viana do Castelo. Seria necessário que a responsabilidade indirecta do Estado fosse inteiramente apurada.