fevereiro 02, 2026

 

 



 Avolumam-se as publicações sobre o impacto das tecnologias de inteligência artificial (IA) na educação e nos percursos de escolarização, oscilando entre leituras claramente pessimistas, como se a escola estivesse a atingir a sua derradeira etapa de existência, e entusiasmos amplamente redentores, que proclamam o advento de uma nova era.

Na realidade, e tal como tem sido concebida desde meados do século XIX, ainda atravessada por resquícios de matriz medieval e sustentada na autoridade livresca do professor, a escola encontra-se, hoje, imersa no que tem vindo a ser designado como transformação digital.

Trata-se de um processo marcado por mudanças substantivas que incidem, primeiramente, sobre o conhecimento e a sua organização curricular, depois, sobre a pedagogia e os modos de aprender e, por fim, sobre a avaliação, se forem valorizados os três vetores de análise da estrutura escolar, propostos por Basil Bernstein.

Estas e outras transformações são analisadas no livro, de acesso aberto, Inteligência Artificial e Educação no Sul Global[1], escrito como resposta a um desafio lançado à compreensão das dinâmicas que se estabelecem entre a IA e a educação em contextos específicos, sobretudo quando existem restrições de recursos que tendem a aprofundar desigualdades já existentes, quer nos vetores anteriormente referidos (currículo, pedagogia e avaliação), quer no desenvolvimento profissional docente, na gestão escolar e na decisão política.

Continua…

https://www.publico.pt/2026/01/20/impar/opiniao/escola-inteligencia-artificial-promessas-desafios-2161723



[1] https://library.oapen.org/handle/20.500.12657/109353